domingo, 15 de outubro de 2017

Professor sem vergonha


Professor sem vergonha


Professor Nazareno*

            
          O Brasil tem um dos piores sistemas de educação do mundo. A prova disto está na pouca ou nenhuma leitura de mundo de grande parte de sua população. Burrice é mato num país com mais de 207 milhões de pessoas. Muitos alunos, após doze ou treze anos de escola, mal conseguem escrever o próprio nome. As escolas brasileiras de um modo geral formam só analfabetos funcionais. As públicas geralmente “ignorantizam”, sabotam e “desinstruem” seus alunos, e por isso formam uma massa de alienados e imbecis. Já nas escolas particulares, a situação é um pouco melhor: elas formam apenas os gerentes dessa ignorância e dessa imbecilidade. Ao professor, nesse contexto de fundo de poço, cabe pouca utilidade, embora ele seja cantado em prosa e loas pelos políticos e pelos mais “espertos”. Dia 15 de outubro é um dia somente para lamentos.
            Ser professor no Brasil não é tarefa fácil. Há mais de quarenta anos que milito neste batente e sei as agruras da sala de aula. Pouco reconhecido, sem condições de se especializar, mal remunerado e perseguido em todos os flancos, muitos desses “mestres sem mestrado” se equilibram como podem para ganhar a vida. Se um aluno é bom geralmente é por que é muito inteligente e dedicado. Se é ruim, fraco, desleixado e sem conhecimentos pergunta-se logo: quem é teu professor, criatura? No Brasil, onde a família já decretou falência há muito tempo, cabe aos professores a tarefa de ensinar e educar filhos alheios. E professor não é educador. Uma mãe, sozinha, educa por cem professores. Um aluno, sozinho, quando ler e busca conhecimentos vale por cem mães. Mas todos infelizmente “abrem mão” de suas obrigações e esperam só pelo professor.
            Alunos despreparados, mal educados, sem leitura de mundo, muitos deles oriundos de famílias falidas e sem a menor infraestrutura social são a matéria prima destes profissionais já estressados. Raros são aqueles alunos de boa procedência e que dão valor à profissão. Raríssimos são os que admitem querer seguir a espinhosa faina. Médicos, engenheiros, advogados, psicólogos, políticos e até policiais desdenham de seus mestres nesta data ridícula. Dia do professor? Deem refrigerantes e outros açúcares aos miseráveis para que morram mais cedo vítimas de diabetes. Se o mestre cai em desgraça, geralmente muitos de seus ex-alunos se lembram de alguma coisa errada que ele fez lá no passado e logo se candidatam para depor contra o infeliz. Triste, mas muitos pupilos sem caráter sentem uma espécie de prazer ao ver seu ex-mestre na pior.
            Mesmo assim, nenhum professor devia sentir vergonha de sua profissão. No mundo desenvolvido e civilizado, todos eles são valorizados e sua palavra é uma sentença respeitada. No Japão, ele vale mais do que o próprio imperador. Já no Brasil, são muitos os exemplos de professores agredidos por seus alunos. Em muitos casos já houve até morte desses profissionais, que não têm quase nenhum reconhecimento da sociedade. Nas greves, o miserável apanha sem dó da polícia. Os outros aparelhos repressores do Estado também não lhes poupam. Militarização absurda das escolas, implantação do projeto escola sem partido, censura pura e simples a livros escolhidos por eles, como aconteceu em Ariquemes, dentre muitas outras excrescências é o que se tem visto. Piedoso, criou o Conselho de Classe só para aprovar alunos ineptos. Não é fácil lidar com educação num país de povo imbecil e sem instrução. Mas não desisto!




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 8 de outubro de 2017

Catalães, paraíbas e beiradeiros


Catalães, paraíbas e beiradeiros


Professor Nazareno*

            
            O Reino da Espanha vive momentos tensos e turbulentos por causa do desejo de independência da Catalunha. Com aproximadamente oito milhões de habitantes e uma área territorial equivalente à de Alagoas, essa próspera comunidade autônoma alimenta há séculos a vontade de se separar em definitivo do governo central espanhol. Na contramão das ordens emanadas de Madri os separatistas catalães insistem na secessão. Reclamam que mandam muito mais recursos do que recebem. O PIB daquela rica e industrializada região espanhola é de quase um trilhão de reais. Além do mais, os catalães têm língua, História e cultura próprias e Barcelona, sua principal cidade, é reconhecida no mundo inteiro como um dos mais importantes destinos turísticos. Fato: a autodeterminação desse povo mediterrâneo parece ser apenas uma questão de tempo.
            Mas os espanhóis não vão ceder facilmente, pois a separação catalã pode abrir precedentes para outros povos que habitam o território do país: os bascos, que também lutam há anos pela sua pátria, não perderiam a oportunidade. Com uma língua própria, o Euskera, uma cultura e uma História que lhes identificam, além de um ódio secular talvez ainda mais forte aos castelhanos, esse povo não abriria mão de morar no seu próprio e amado País Basco, o Euskal Herria. Ainda há os galegos da Galícia, que falam uma língua muito próxima do nosso Português e nunca negaram o desejo de se separar do governo madrileno. Todos esses povos, além dos asturianos, têm uma forte identidade nacional que os separa dos castelhanos, que veem como estrangeiros. Talvez por isso, renasce no Brasil a onda separatista do Sul do país e também de São Paulo.
            Nenhuma separação daria certo no Brasil. Aqui, além da mesma língua, cultura e História, em todos os Estados a brasilidade é idêntica. Afora um sotaque ligeiramente diferente do outro, o povo do Brasil é um só miscigenado entre brancos, negros e índios. A violência, os péssimos serviços públicos, a indolência e os políticos ladrões são as mesmas pragas que nos perseguem há séculos. Claro que a região Sul do Brasil é mais civilizada e desenvolvida do que todas as demais. Óbvio que o PIB de São Paulo é infinitamente superior a qualquer outra unidade da Federação, mas isto não lhes autoriza a viver de forma independente. Já pensou se Rondônia e a Paraíba, por exemplo, quisessem se separar do restante do país? Não sobreviveríamos uma semana. Paraíbas e beiradeiros não são como bascos, galegos ou catalães. Morreríamos de fome logo, logo.
            É sabido que os Estados das regiões Sudeste e Sul do Brasil sustentam o restante do país. Norte, Nordeste e Centro-Oeste só dão prejuízos à Federação e vivem praticamente da exportação de mão-de-obra e dos seus recursos naturais. A preguiça verificada em muitos destes Estados do Brasil condenaria qualquer povo à fome e ao desespero. Porém, a pujança do Sul foi devido à escravidão e a de São Paulo, principalmente, ao suor de muitos nordestinos. Em Rondônia não há língua diferente, não há cultura própria, muito menos produção de riqueza suficiente para que se viva de forma independente. Na Paraíba é a mesma coisa. A única coisa que diferencia estes dois Estados do restante é o sotaque, muito feio por sinal. Muitos dos políticos de Rondônia e da Paraíba não são honestos. Empata com o Brasil. A violência e o descaso nos serviços públicos nos iguala com o Sul e com São Paulo. Secessão por aqui? Nunca.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 1 de outubro de 2017

Porto Velho: favela de 103 anos


Porto Velho: favela de 103 anos



Professor Nazareno*

           
     Porto Velho, a esquecida e abandonada favela, está aniversariando. Com todo o respeito às favelas, completamos 103 anos. “A velha e doente prostituta continua sendo estuprada e ainda tem que pagar pelo preservativo”. Sem nunca ter sabido ao certo a origem do seu esquisito nome, a cidade acumula neste século de infeliz existência uma série de características bastante peculiares no país e que para nada servem: tem a maior área territorial dentre as capitais brasileiras superando países como a Bélgica, Israel e Eslovênia. É a mais populosa cidade fronteiriça nacional com pouco mais de 500 mil habitantes e é a única capital que faz fronteira com o exterior. Maior município do oeste brasileiro tem o título de cidade onde mais se morre por raios. Como se vê, até a fúria da natureza manda suas descargas para cima do lugar como se aqui fosse amaldiçoado.
            E a cidade é amaldiçoada mesmo, pois em todo este tempo de desventuras, nunca teve um único filho a lhe administrar. Parece uma praga, pois todos os seus prefeitos foram importados e que nunca demonstraram amor ao torrão alheio e distante. Até o atual prefeito, que é de Pernambuco, trabalhou apenas seis meses, tirou férias e foi visitar Disney e Paris em vez de ir a Calama, Abunã, Bandeirantes ou outros distritos mais necessitados. A coisa está tão deprimente por aqui que o porto no rio Madeira, que dá nome à capital, é hoje um barranco escorregadio, escuro, sujo e íngreme como que sugerindo uma infeliz semelhança com a maltratada urbe. Enfim, um porto muito velho mesmo. Triste ironia: hoje os mais ardorosos defensores daqui moram fora e de lá mandam “loas” dizendo hipocritamente que amam o que já há tempos abandonaram.
            Com menos de 3% de rede de esgotos e só com 31% de água tratada, no verão a fumaça das criminosas queimadas dá o tom todo ano ao visual urbano. Desflorestada e sem nenhum planejamento, a capital mais suja do Brasil é cortada por antigos igarapés que já viraram esgotos pútridos escorrendo a céu aberto. Sem porto, sem rodoviária decente e com um aeroporto que quase não tem voos, Porto Velho está repleta de obras eleitoreiras inacabadas. Talvez por isso, muitos forâneos que para cá vêm, sempre voltam ao seu lugar de origem para acompanhar o nascimento de seus filhos ou para celebrar o casamento sempre longe daqui, que escolheram para ganhar dinheiro. Férias de fim de ano? A cidade se esvazia para lotar as praias do Nordeste e também o centro-sul do país, mesmo tendo as passagens aéreas mais caras do que qualquer outro lugar.
            Em 2009 a jornalista Eliane Brum da revista Época escreveu que “Porto Velho é uma cidade que não é daqui”. Nem daqui nem de nenhum outro lugar. Hoje ela não reconheceria mais a currutela fedorenta. Está muito pior do que antes e a cada ano que passa a situação só piora. “Diferente de outras capitais amazônicas, quase não se veem índios. Praças e espaços públicos são escassos, as calçadas são desiguais e pontuadas por lixo. A atmosfera é pesada e triste. Não parece um lugar para pessoas. Ou pelo menos para exercer a cidadania. Assemelha-se a uma cidade de passagem”, escreveu Eliane. A “antessala do inferno” ainda precisa melhorar e muito para ficar ruim. Escura, apesar das três hidrelétricas, violenta, sem mobilidade urbana, suja e sem árvores lembra uma terra arrasada. Para se amar Porto Velho tem que ser cego ou então não ter senso crítico. Quase sem infraestrutura, o lodaçal é sua marca maior. Até quando, Deus?





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 23 de setembro de 2017

O Planalto é minha meta



O Planalto é minha meta


Professor Nazareno*

            Com a atual crise política que o Brasil está vivendo, muitas pessoas se acham no direito de se candidatar à Presidência da República nas eleições de 2018. Eu também quero participar desse jogo. Quero ser presidente do Brasil pelos próximos quatro anos. Como estou me aposentando tenho tempo de sobra para consertar o que foi destruído por mais de quinhentos anos de péssimas administrações. Com um PIB que o coloca entre as dez maiores potências econômicas da atualidade, o nosso país é muito rico e se destaca mundialmente na produção de commodities. Segundo maior produtor de alimentos, o Brasil é o celeiro do mundo. Só neste ano de 2017 são mais de 230 milhões de toneladas de grãos. Isso sem falar na produção de carne, frangos, peixes e frutas. O problema é que esta riqueza não chega à mesa dos mais de 207 milhões de habitantes.
            Como presidente da nação vou transformar o nosso IDH. Temos uma qualidade de vida ínfima se comparada à riqueza que produzimos.  Nos meus quatro anos à frente do Palácio do Planalto eu não vou resolver de imediato os problemas da nação, mas iniciarei um combate austero às desigualdades sociais e à injustiça. Lançarei as bases para que se tenha nos próximos anos uma qualidade de vida pelo menos compatível com a nossa pujança econômica. E o segredo para se conseguir isso é fazer investimentos em educação de qualidade. Dessa maneira, basta trabalhar com as crianças abaixo dos sete anos. Com oito anos um indivíduo já não serve mais para apostas no futuro. Ele já se benze, tem religião e está contaminado, portanto, pela ambição e pelo preconceito. Aos nove anos já mente e aos dez, troca bala com a polícia.
            Eleito em 2018, a partir do ano seguinte todas as crianças do país, até os sete anos, devem ser matriculadas em escolas de tempo integral, particulares ou públicas, ter os melhores professores e um currículo escolar voltado ao conhecimento e às novas descobertas além da obrigatoriedade de praticar esportes. E todo dia esses alunos serão incentivados a produzir um texto escrito em Língua Portuguesa. Em 2020 todo este procedimento será refeito com os novos alunos e assim sucessivamente até o ano de 2029, quando estes primeiros estudantes estarão concluindo o Ensino Médio e se preparando para entrar na universidade. Essas ações darão certo, pois todos os países desenvolvidos e civilizados do mundo mudaram suas sociedades apostando na educação de qualidade. Por que aqui seria diferente? Laboratórios e aulas de todos os saberes.  
            No meu governo os professores serão avaliados todos os anos. Os mais aptos e que conseguirem os melhores resultados serão sempre recompensados. Na política, todos os corruptos serão punidos na forma da lei. Importaremos a legislação de países mais adiantados e reformularemos o Congresso Nacional, o Executivo e o Judiciário. Na economia, o lucro será permitido, mas terá limites. Exportar alimentos só depois que não houver mais fome no território nacional. Haverá incentivos para todas as áreas da cultura e da arte. Nada de devastar o meio ambiente e os Estados teriam que dar lucro. Rondônia e Acre, por exemplo, seriam extintos ou então devolvidos para os bolivianos. A mídia teria total liberdade e a família, de qualquer tipo e formação, seria a base da nova sociedade. Drogas, liberadas na sua totalidade. O Estado continuaria laico e todos seriam incentivados a não seguir nenhuma religião. Problema: se eu for eleito, caio fora.





*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Saudades da Ditadura

Saudades da Ditadura


Professor Nazareno*

            
                Em março de 1964 eu tinha apenas cinco anos. Em março de 1985 eu estava, óbvio, com 26. Este período foi a melhor fase que vivi em toda a minha vida e que coincidiu na política nacional com o chamado período da Ditadura Militar. Aqueles “anos dourados inesquecíveis” foram para mim uma espécie de “meus verdes anos”. Para o nosso país também foi. Éramos competentemente governados pelos militares que em nome do capitalismo e para defender os interesses dos mais pobres deram um golpe no latifundiário e dono de terras João Goulart e em todas as instituições que defendiam equivocadamente as aspirações democráticas. Bons tempos aqueles: éramos felizes e não sabíamos. Vivíamos no paraíso. Uma espécie de terra dos Smurfs sem o Gargamel. A Ditadura Militar foi uma panaceia milagreira que fazia jorrar mel e leite das ruas.
            Naquela áurea época havia coelhinhos saltitantes e borboletas azuis em todos os recantos do país. Tudo funcionava maravilhosamente bem e as pessoas não tinham sequer a tola vontade de votar para presidente, prefeito das capitais ou mesmo governador. Corrupção não havia e o que se arrecadava em impostos era tudo empregado para o bem da sociedade. O nosso país crescia folgadamente a 15 ou 20 por cento ao ano e tínhamos amplo reconhecimento internacional. A nossa educação era de Primeiro Mundo e só não ganhamos várias vezes um Prêmio Nobel por que nunca fizemos questão dessas “coisas pequenas”. Os nossos militares descartavam anualmente a indicação para o Oscar e os Estados Unidos assim como vários países europeus e o Japão guiavam suas sociedades a partir do que viam no Brasil. Éramos melhor que eles.
            Não havia essa violência que vemos hoje e quase não tinha pessoas presas a não ser aquelas que queriam mesmo estar nas cadeias como alguns estudantes insolentes e alguns sujeitos metidos a oposicionistas e os provocadores da esquerda. A liberdade grassava em todos os níveis. Todas as minorias eram respeitadas e até os indígenas tinham uma política só para eles. O governo militar criou o Mobral para alfabetizar todos os cidadãos que quisessem. Preocupados também com a cultura, os militares incentivaram todas as formas de arte e expressão. Censura “quase” não havia e qualquer um podia se expressar livremente. A nossa dívida externa mostrava a credibilidade do país ante o mercado externo. Ainda teve o milagre econômico. E se houve DOI- CODI, torturas, AI-5 e exílio foram apenas meras formalidades para melhor se governar.
            Mas como tudo o que é bom dura pouco, os civis tomaram de assalto o poder e lamentavelmente instalaram a famigerada democracia entre os brasileiros. De 1985 aos dias de hoje, vivemos de solavanco em solavanco tentando acertar e nada parece dar certo. A roubalheira tomou conta da sociedade, a imoralidade dá as cartas, a crise de representatividade só aumenta, a insatisfação popular não para e a corrupção nunca acaba. Vivemos tempos difíceis. Se os militares dessem, para a nossa sorte, outro golpe militar as coisas entrariam no eixo mais uma vez. E como num passe de mágica, general no poder, a corrupção acabaria no dia seguinte. Nossas escolas teriam de volta as disciplinas Educação Moral e Cívica e OSPB, o Estado não seria mais laico e a nossa bandeira não mudaria de cor jamais. Não sei o que os “milicos” estão esperando, pois quando tiraram a Dilma e o PT as coisas melhoraram e muito. Só não vê quem não quer.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Devíamos ter furacões e terremotos


Devíamos ter furacões e terremotos


Professor Nazareno*

            
          Já ouvi muitos idiotas dizerem várias vezes que Deus é brasileiro e que somos uma terra abençoada por natureza. Tudo mentira, tudo lorota, tudo enganação. Uma nação que figura entre as maiores economias do mundo e tem um IDH incompatível com a sua riqueza é um lugar injusto. Nunca fomos um país sério e como se não bastasse, temos os piores serviços públicos do planeta e o nosso sistema de educação é uma desgraça que só imbeciliza e sabota os alunos, que são os mais desinstruídos e “ignorantizados” que se conhece. Os Estados Unidos, o Japão e muitos países desenvolvidos da Europa nem de longe podem ser comparados à desgraça que é o Brasil. Muitos desses países já ganharam várias vezes o Prêmio Nobel, têm sociedades justas, altíssimo IDH e quase todos seus serviços públicos funcionam exemplarmente.
                Muito diferentes deste país vagabundo e chinfrim, nestas nações a corrupção e a desonestidade são coisas raras. E quando por lá alguém saqueia o Erário, a punição sempre é exemplar. Só que nestes países há vulcões, terremotos e até furacões. “Então o Brasil é um país infinitamente melhor do que qualquer um deles” deve-se pensar erroneamente. Se foi Deus que criou os países, foi muito injusto: poupou-nos da fúria da natureza e caprichou nas desgraças naturais em outras nações. Mas a verdade não é bem esta, pois tufões, furacões, terremotos, nevascas, tsunamis e vulcões matam menos gente do que a nossa corrupção. É só comparar o número de mortos por causa dos 51 milhões de reais escondidos por Geddel Vieira, por exemplo. O dinheiro sujo do homem forte de Michel Temer poderia ter evitado muitas mortes nos hospitais públicos do país.
            Não há desgraça da natureza que mate mais do que a nossa corrupção, a nossa desonestidade, a nossa individualidade, o nosso jeitinho, a nossa insensatez. Somos infelizmente uma das piores sociedades do mundo em termos de justiça social e Deus é cúmplice de toda essa cachorrada em que vivemos. Se Ele nos tivesse dado a fúria da natureza podíamos nos proteger mais facilmente e teríamos menos mortos. Quantos pobres não morreram no “açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho com as maracutaias da JBS com o atual vice-prefeito da cidade? As verbas surrupiadas do Espaço Alternativo, dos viadutos e da ponte escura pelos políticos daqui teriam evitado muito sofrimento da população mais carente deste Estado. Evitado sofrimentos, dores e muitas mortes. Mas quase ninguém consegue entender o porquê. E continua votando.
            A falta de saneamento básico, de água tratada, de mobilidade urbana além da violência desenfreada causa duzentas vezes mais mortes do que o furacão Irma ou de qualquer um tsunami. Se tivéssemos ao lado de Porto Velho um vulcão ativo ou mesmo se fôssemos uma terra de violentos terremotos, conseguiríamos nos livrar dos problemas sem tantos traumas e mortes. Mas nunca vamos nos livrar dos maus políticos, eles são como uma praga invencível. Parece que em Rondônia e em todo o Brasil, as mesmas desgraças serão sempre eleitas e reeleitas eternamente. Para se ter uma ideia do inferno astral em que vivemos na política, Lula e Bolsonaro lideram disparados todas as pesquisas para presidente da República em 2018. As intempéries naturais aparecem de vez em quando, já nossos males são rotineiros e frequentes. Seria interessante que Deus fizesse uma troca: mande-nos furacões, vulcões, terremotos e leve Temer e a corrupção.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 17 de setembro de 2017

Eu te amo, censura!


Eu te amo, censura!


Professor Nazareno*

           
             Muita gente nem percebeu ainda, mas o Brasil está vivendo tempos bicudos e muito preocupantes em relação à liberdade de expressão, embora se diga abertamente que estamos em uma democracia. Com o golpe dado na presidente Dilma Rousseff pelo atual presidente Michel Temer e sua turma, os covardes ataques à criatividade artística, científica e intelectual aumentaram perigosamente no país e os arautos da ignorância e das trevas não perdem a chance de mostrar suas garras. Porém o artigo quinto da nossa Constituição afirma que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. E continua: “são, portanto, invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.
            A nossa lei maior, portanto, proíbe qualquer tipo de censura política, ideológica ou artística. Mas não é isso que estamos presenciando. O museu do Santander Cultural em Porto Alegre foi fechado e a exposição Queermuseu foi cancelada após ataques registrados nas redes sociais e no interior do próprio museu. Em comunicado, a instituição afirmou que "o objetivo do Santander é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia". A exposição entrou em cartaz e logo após foi vetada. Depois de Porto Alegre, outra obra de arte também foi censurada: a artista Alessandra Cunha teve uma de suas telas expostas em Campo Grande/MS confiscada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança sob a acusação de incentivo à pedofilia. Ora, ninguém é obrigado a visitar uma exposição.
            Em Rondônia, por exemplo, caminha a passos largos a militarização de várias escolas estaduais sob o ridículo pretexto de melhorar a disciplina nas mesmas. Esse fato, no entanto, esconde o desejo latente e a mentalidade golpista e ditatorial de implantar nestas mesmas escolas regras equivalentes às da feroz ditadura que vivemos entre 1964 e 1985. Tivemos também o recente caso de Ariquemes, quando o Prefeito Thiago Flores proibiu a distribuição de livros didáticos nas escolas do município. Crime desses livros: falavam sobre a existência da diversidade de gênero, dos novos tipos de família e da existência de homossexuais. A censura e o obscurantismo são geralmente defendidos por religiosos inescrupulosos e por pessoas tapadas, sem leitura de mundo que se acham os donos da verdade. Triste: a Idade Média quer vigorar de novo. Estamos regredindo.
            Muitos facínoras adoram a proibição. Lula, que se diz de esquerda, não perde a chance de atacar a mídia para tentar encobrir suas falcatruas e ladroagens. Em Rondônia muitos internautas gostariam que eu não produzisse mais meus textos. Sem nenhuma importância literária, o que escrevo apenas procura mostrar a sofrida realidade a que os políticos nos submetem há tanto tempo. A blogueira e jornalista Luciana Oliveira de Porto Velho sofre o “pão que o diabo amassou” por causa de suas publicações. Nada pode ser censurado em uma sociedade moderna. Se alguém denegrir a imagem do outro, que pague pelo dano cometido. Por que me aborrecer se dois homens vivem juntos? Por que me incomodar se o outro não segue a minha religião? As pessoas não são iguais e a riqueza está na diferença. Arte é arte. E livros não podem ser queimados, como fizeram os Nazistas. Mais uma vez o ovo da serpente está chocando entre nós. Estou com medo.





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 10 de setembro de 2017

Furacão em Porto Velho


Furacão em Porto Velho


Professor Nazareno*

            
         O furacão Irma, um dos mais devastadores e letais da História, arrasa o Caribe provocando mortes, bilhões de dólares em prejuízo e avança de forma agressiva sobre a Flórida causando violentos impactos materiais. Com ventos de quase 300 km e um raio entre 600 e 800 quilômetros o fenômeno provocou naquele Estado norte-americano a evacuação de mais de seis milhões de pessoas em um tempo recorde. Miami ficou deserta e as autoridades decretaram toque de recolher nas principais cidades e condados. Aeroportos foram fechados, postos de gasolina e o comércio em geral também não funcionou. Tropas militares patrulhando as ruas e o governador do Estado coordenando os trabalhos de remoção e evacuação de parte da população. Rodovias cheias de carros, pessoas buscando abrigos mais seguros, mas tudo dentro da mais perfeita organização.
            No entanto, se a tormenta fosse em Porto Velho, capital de Rondônia, tudo seria diferente. Mas já se sabe que Deus não é tão injusto e sacana para nos mandar mais um problema. Já temos de sobra desgraças que superam em muito os transtornos vividos pelas vítimas do Irma e de outros furacões. Nossos mandatários e nosso povo são pragas insuperáveis para qualquer país. Para começo de conversa, como nossas corruptas autoridades retirariam em tempo recorde as pessoas de uma cidade já arrasada como Porto Velho? No mundo desenvolvido e civilizado, as autoridades evacuam as pessoas. Já neste fim de mundo atrasado, os nossos governantes evacuam nas pessoas. Com ruas e estradas todas esburacadas e um povinho chinfrim e todo apressado querendo tomar o lugar dos outros, ninguém sairia daqui. A desorganização colocaria tudo a perder.
            Os ambiciosos comerciantes locais venderiam garrafas de água mineral a trinta ou 40 reais. Com a iminente tempestade, a gasolina subiria para 60 ou setenta reais o litro e os poucos e sujos hotéis da cidade até abrigariam pessoas, mas cobrando preços exorbitantes. Passagens de avião para sair do olho do furacão haveria, mas não por menos de 20 ou 30 mil reais o bilhete. Só os ricos se safavam. Mesmo assim, a terrível ventania seria um espetáculo grandioso de se ver. Já pensou as Três Caixas d’Água sendo arrancadas pelo alicerce? Estraçalhadas e moídas iriam parar no inferno, seu lugar adequado. A EFMM seria varrida do mapa. O furacão rondoniano faria o serviço que o rio Madeira iniciou. A ponte escura, os viadutos e o Espaço Alternativo seriam todos arrancados e jogados para muito longe daqui. O Furacão só nos livraria de trambolhos.
            Já pensou nos serviços de ajuda prestados pela Brigada de Infantaria e Selva e pelo 5º BEC? Nossos militares, cuja função maior é varrer pátios e desfilar no sete de setembro, finalmente teriam coisas mais úteis para fazer. O Corpo de Bombeiros, que não consegue evitar a nossa fumaça diária, também estaria a serviço dos atingidos. E o Batalhão de Polícia Ambiental, que entra ano e sai ano, e não consegue sequer impedir a queima de nossas florestas, o que faria para ajudar? O cenário nesta capital não ficaria muito pior no caso de uma anomalia dessas proporções. Energia iria faltar, como se isso fosse novidade. E haveria saques e roubos a lojas. O “açougue” João Paulo Segundo e o Hospital de Base receberiam os feridos e ficariam todos lotados de gente morta e ferida. Haja fedor. Faltaria água e os esgotos estourariam no meio das ruas. Os “ventos da morte” só não derrubariam a Assembleia Legislativa nem a Câmara de Vereadores.




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

República Cu de Mãe Joana


República Cu de Mãe Joana


Professor Nazareno*


      Eis que o paisinho chinfrim volta de novo às manchetes policiais. E certamente não foi por causa do sete de setembro, quando se pensa comemorar uma independência que nunca houve por estas bandas. Livramo-nos de Portugal, é verdade, mas caímos nas garras do Capitalismo selvagem. Pior até: ajoelhamo-nos diante da ganância e da arrogância de uma elite nacional fracassada, hipócrita e amaldiçoada. Malas recheadas de dinheiro vivo foram encontradas num apartamento de um ex-ministro do governo golpista de Michel Temer. Outra vergonha. Mais de 51 milhões de reais e dólares saídos do esgoto do PMDB e de outros partidos que estão no poder foi o que a Polícia Federal descobriu num bunker em Salvador. Desta vez não é uma simples mala como aquela de “apenas” 500 mil reais. São oito malas e umas seis ou sete caixas abarrotadas de notas.
A República Federal do Cu de Mãe Joana está em polvorosa mais uma vez. O frenesi nos meios políticos não para e a certeza é a mesma de sempre: ninguém será preso de verdade. Uma prisão domiciliar aqui, outra acolá e uma tornozeleira eletrônica em um ou outro é o máximo de punição que a nossa Justiça permitirá aos infratores. Enquanto isso, os pobres e o país inteiro ficam no prejuízo e seguem sua rotina macabra de desolação e sofrimento. Como comemorar uma independência em meio a tanto descaso, roubo, falta de vergonha e corrupção? Isso é mesmo um país independente? Tudo o que muitos desses brasileiros descarados fazem só reafirma que não somos uma nação séria. E o pior é que se o bom exemplo não vem de cima, aqui por baixo as coisas seguem um repertório também envolto em corrupções, maracutaias e maus exemplos.
Em qual país do mundo, por exemplo, há saques de cargas tombadas no meio das rodovias? Essa é uma invenção tipicamente nossa. Aqui só se livra do saque se for uma carga de livros. O saber e a informação numa republiqueta desprezível não servem para nada mesmo. Um país em que muitas das autoridades saqueiam o Erário em benefício próprio não pode dar bons exemplos. No Brasil inventamos o feriadão. Agora mesmo, o dia sete de setembro caiu numa quinta-feira. E o que aconteceu? A sexta-feira foi enforcada. O Estado, claro, libera todo mundo. As prefeituras também. Três ou quatro dias sem trabalho e mais prejuízos para a nação, mas todos ficam felizes pelo descanso ilegal. “Dane-se a nação!”. Aqui é assim mesmo, pensam os mais indolentes. Alunos sem aulas? Que bom! Só assim aprendem menos e ficam mais subjugados.
Em vez de proteger o meio ambiente, fazem-se queimadas horríveis. A fumaça no quente verão dá a impressão de desenvolvimento. E quando falta energia, não se avisa a ninguém. Arrastões em praias lotadas, comércios, escolas e residências são uma constante. Ladrões levam tudo à luz do dia. Assaltos já viraram rotina. No Cu de Mãe Joana são mortas todo ano mais de 55 mil pessoas. O trânsito violento e desorganizado ceifa outras 45 mil almas. Ataques a caixas-fortes com bombas e dinamites é o que mais se tem observado ultimamente. Se há um governo ladrão, para a felicidade geral, substitui-se por outro igualmente larápio. No país onde tudo é possível, em média só 20 por cento da população entende de política e mesmo assim esses estão divididos entre direita e esquerda. Quanto mais ladrão por aqui, mais endeusado e amado. Mas mesmo sem prestígio e civilidade, a República do Cu de Mãe Joana acha que é um país decente.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 3 de setembro de 2017

Ninguém quer a paz?


Ninguém quer a paz?


Professor Nazareno*


Kim Jong-Un, o ditador desmiolado e nuclear da Coreia do Norte, avisa ao psicopata presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vai destruir todo o seu arsenal nuclear e que de forma unilateral abriu mão de suas pretensões bélicas. Japão, China e Coreia do Sul podem respirar tranquilos: não haverá guerra tão cedo na península coreana. As desavenças do passado estão para sempre enterradas e os resquícios da Guerra Fria serão a partir de agora apenas lembranças nos livros de História. Sul coreanos podem, se quiser, cruzar a fronteira com o seu vizinho do norte para se confraternizar com os seus irmãos. Os japoneses foram perdoados pelas atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra e que as tropas norte-americanas podem a qualquer momento se retirar da Ásia. O mundo não terá hecatombe nuclear.
No Brasil o presidente golpista Michel Temer não mais dará andamento às reformas impopulares do seu fracassado governo. Chamará o PT, Partido dos Trabalhadores, para ajudá-lo a governar o país para benefício de todos os cidadãos brasileiros. Sob um governo de coalizão nacional, PMDB, PT, PSDB, Democratas, PSB  e demais partidos da base governista e também da oposição se aliarão para encontrar melhores soluções para acabar ou mesmo amenizar todos os problemas da sociedade brasileira. Eleições não haverá tão cedo. Todos, irmanados e imbuídos em encontrar os melhores caminhos, governarão sob os aplausos de uma população carente, mas ciente de que o pior já passou. Empresários aliam-se aos funcionários e resolvem diminuir seus lucros exorbitantes só para melhorar o padrão de vida de quem trabalha e produz.
Em Rondônia, o governador Confúcio Moura convoca todos os políticos que pretendem disputar no próximo ano o governo do Estado e também todos os sindicatos de funcionários públicos para reorganizar as finanças estaduais. A Assembleia Legislativa, por conta própria, corta todos os seus gastos e se adapta à nova realidade nacional de governar para o bem de toda a população que paga impostos. O Poder Judiciário realinha para baixo os salários de todos os seus membros e devolve as sobras para o Executivo. Por causa da aparente crise financeira, todo o Poder Público do país passa a governar em benefício dos mais humildes e necessitados. Investimento maciço em escolas públicas, em hospitais, em saneamento básico e em mobilidade urbana será rotina. De comum acordo, ninguém do Estado ganhará mais de cinco mil reais por mês.
No município de Porto Velho o prefeito Hildon Chaves assume de vez que é um político e que administrará de agora em diante para todos os munícipes. Promete que nunca mais vai tirar férias com apenas seis meses de trabalho e fará as pazes com a Câmara de Vereadores e com os funcionários municipais, de quem aboliu na calada da noite os quinquênios. Em todos os municípios brasileiros reinará a paz e a harmonia e os fornecedores, empreiteiros e empresários de agora em diante serão honestos e fiéis em suas relações com o Erário. De maneira ilegal, ninguém mais será beneficiado com o dinheiro público, que será empregado de forma correta para solucionar todas as crises. Mísseis não mais cortarão os céus de país nenhum, malas recheadas de dinheiro sujo não mais serão filmadas pela polícia e os políticos enfim trabalharão para quem os elegeu. É sonho? Sim, mas nem Lula, nem Bolsonaro ou Trump podem participar dele.




*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Terra dos apagões


Terra dos apagões


Professor Nazareno*


Rondônia tem três grandes hidrelétricas, mas na sua capital Porto Velho a falta de energia tem sido uma constante ultimamente. Em menos de 15 dias verificaram-se dois terríveis apagões trazendo, óbvio, alguns transtornos para moradores e para o comércio. Mas a caboclada já está se acostumando tranquilamente ao caos. Para uma capital de Estado que detém o nada invejável título de “antessala do inferno” ficar no escuro quente por alguns poucos minutos parece ser coisa normal. E como para muitos porto-velhenses “não falta energia durante o dia”, alguns só perceberam o primeiro apagão por que foi à noite. Energia é um bem de consumo supérfluo e quase dispensável nestas terras selvagens e inóspitas. Uma cidade que tem apenas dois ou três edifícios não precisa mesmo de energia para movimentar elevadores ou outras coisas mais úteis.
Ninguém sabe até agora a razão destes blackouts neste fim de mundo esquecido e abandonado. E talvez nunca saberá. O Operador Nacional do Sistema pode até saber o porquê, mas dificilmente dará explicações convincentes aos seus consumidores. Rondônia produz energia boa e barata e manda quase tudo para o sul do país. O nosso meio ambiente foi estuprado pelas duas grandes hidrelétricas no rio Madeira apenas para satisfazer a necessidade energética de Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e outras metrópoles mais civilizadas e desenvolvidas. Devem pensar que índios não precisam de geladeira para conservar seus poucos alimentos. Beber água gelada e dormir com ar condicionado ligado é um mimo inexplicável para quem nunca viu essas modernidades. Além do mais, em Rondônia não existem indústrias que justifiquem luz o dia todo.
A única ponte da cidade é também escura feito breu e com a recente vitória de Amazonino Mendes para governar o Amazonas pela décima vez, a estrada que ligaria Manaus a Porto Velho nunca mais sairá do papel. Portanto, a melhor coisa que se faria seria implodir aquela velharia imprestável e desnecessária. Eu não colocaria uma lâmpada sequer naquilo e como a cidade sempre fica às escuras, tudo combinaria. Aliás, existe cidade no mundo mais escura do que Porto Velho? Como gostar dessa “terra de apagões” se até os políticos daqui não são flagrados contando dinheiro sujo como os de Cuiabá? O Mato Grosso, sim, é uma terra abençoada. Lá eles precisam de claridade, já que não se conta dinheiro no escuro. Amar Porto Velho, terra onde político tira férias com apenas seis meses de trabalho, é uma das tarefas mais ingratas que se conhece.
Qual o empresário maluco que teria coragem de investir alguma coisa em Rondônia ou em sua distante e atrasada capital? Matéria prima quase não existe por aqui, mão de obra qualificada não há, mercado consumidor também não e agora nem energia elétrica confiável. Investir aqui só se for para montar uma fábrica de porongas, lamparinas ou velas. Pior: a apagada classe política local não dá um pio sobre o acontecido. Com a reputação mais escura do que os apagões, nenhum deles vai à mídia falar sobre o problema. Dormir no escuro batendo carapanã virará em breve um hobby nesta capital calorenta, abafada e infernal. Além de suja, mal administrada, fedorenta, podre e imunda, a capital mais chinfrim agora é escura. Brevemente estaremos andando de cipó como já previram, atividade essa que não depende da cara energia. Mais de 15 horas depois das trevas, a Eletrobras não sabia explicar o que tinha acontecido. Nem eu.





*É Professor em Porto Velho.