quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Flamengo é o Brasil


O Flamengo é o Brasil


Professor Nazareno*

            
        Não gosto de futebol. Porém uma vez ou outra admito que perco meu precioso tempo para ver alguns jogos na televisão. Praticamente de férias, tive tempo de observar a sensacional perda do título do Flamengo para o Independiente da Argentina pela Copa Sul-Americana. O empate em um gol em pleno Maracanã me fez vibrar muito com a desilusão e o choro dos arrogantes e tolos flamenguistas. Não me levem a mal nem acreditem que sou masoquista: é que não tenho um time de coração e sempre torço pelo bom futebol. E como os brasileiros há muito tempo não têm mostrado um futebol de primeira, torço sempre pela melhor equipe. O Flamengo é um time insosso, fraco, sem futebol empolgante e sem nenhum prestígio internacional. Representa hoje o decadente futebol do Brasil, que levou de 7 X 1 da Alemanha na última Copa do Mundo.
            Torcer pelo Flamengo ou por qualquer outro time do Brasil na atualidade é torcer pelo péssimo futebol. E isso não é justo. Principalmente para com um time como o Independiente. A equipe do Rio de Janeiro foi um fracasso do começo ao fim dessa Copa Sul-Americana. Sempre jogou mal e geralmente só ganhava quando era vergonhosamente ajudado pela arbitragem. Pior: os seus torcedores fizeram um absurdo, mas que já se podia esperar dos brasileiros neste último jogo: vandalizaram os atletas e a delegação dos argentinos em pleno hotel. Pela covardia, o Flamengo merecia perder. Só empatou. Mas perdeu mesmo assim por causa do péssimo futebol apresentado nas duas partidas. Time covarde, medroso e sem iniciativa, foi dominado pelos argentinos e só não foi goleado dentro de sua própria casa por que os “hermanos” tiveram pena.
Além disso, algumas poucas vitórias do Flamengo este ano no campeonato brasileiro e também no carioca podem ter sido turbinadas pelas atuações do seu centroavante, o peruano Paolo Guerrero, suspenso por um ano pela FIFA depois de ser flagrado recentemente em exame antidoping. Guerrero seria usuário de cocaína. Não entendo como um time que causa tanta decepção tem um número tão grande de torcedores. Do seu ex-goleiro Muralha o chamado “mão de alface” até os reservas não há, por exemplo, um único jogador no elenco rubro-negro digno de participar de uma Copa do Mundo. A perda do título da Copa Sul-Americana pelo Flamengo pode ser um prenúncio do que poderá acontecer com o nosso decadente futebol: o Grêmio pode ser surrado pelo Real Madrid e o Brasil pode sofrer outro vexame na próxima Copa.
O atual futebol no Brasil perdeu o prestígio que antes tinha. O glamour dentro das quatro linhas hoje está na Europa e nos seus grandes times e ricos campeonatos. Não há como comparar equipes de ponta como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Manchester City, Inter de Milão, Paris Saint-Germain com estas porcarias que jogam no Brasil. Perder títulos e ser goleado por outras seleções é só a terrível consequência da falta de organização e da roubalheira que tomou conta do “esporte das multidões” em nosso país. A alegria de ver o Flamengo perder um título dentro de casa só não é maior do que assistir no próximo ano à derrocada da seleção canarinho na Copa da Rússia. Em tudo o Brasil é decepção. A nossa política é um escândalo. O nosso governo, um caos. O Brasil é Flamengo não por que os brasileiros estavam torcendo por ele, mas por que o mesmo representa também o fracasso do país. Em todos os aspectos.





*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Papai Noel é rondoniense


Papai Noel é rondoniense


Professor Nazareno*


Sempre achei que o bom velhinho fosse um santo. Agora tive a certeza: ele não só é um santo como pode ser também um dos filhos de Deus. Pensava que ele era da Finlândia ou da Lapônia, mas me enganei: ele é de Rondônia mesmo. No mundo capitalista ocidental, o “Santa Claus” é mais conhecido do que o próprio Jesus Cristo. Impecável no seu longo traje vermelho e com sua barba branca, está presente em vários recantos e é amado por todos que o veem. Traz alegria, felicidade e bonança para os que nele acreditam. Em Porto Velho ele esbanja empatia e muito entusiasmo, apesar da lama, da catinga e da podridão da cidade. As criancinhas o amam sem limites. Da zona leste à zona sul desta capital aquela criatura divina é aplaudida e venerada por todos. Até os “rondonienses de coração” não seguram as lágrimas quando estão diante dele.
O Natal geralmente celebra o nascimento de Cristo, mas todos querem mesmo é ter contato com o velhinho sorridente de barbas brancas. Deve ser por que Jesus Cristo, que raramente ri e tem a barba preta, não dá presentes para ninguém. Mas como um bom rondoniense, Noel presenteia os desconhecidos com tudo o que pode. Deu ao povo de Porto Velho, por exemplo, um lindo Espaço Alternativo para todos fazerem alegremente suas caminhadas. Deu também vários viadutos, só que todos íngremes e escuros feito breu apesar de esta localidade ser a “cidade das hidrelétricas”. Parece que economizaram nas lâmpadas para iluminar melhor o resto da cidade, que é muito escura também. O Pai Natal não tem filhos. Dizem que é por que o saco dele é de brinquedo. Deve ser por isso que ela adora divertir os filhos dos outros. Noel “ama” as crianças!
Quando o Papai Noel adoece, se trata no Hospital João Paulo Segundo mesmo. O maior “campo de extermínio de pobres” da região Norte é a cara do velhinho do saco grande. E suas patologias não vão muito além de virose, diarreia ou curuba, doenças típicas dos rondonienses mais pobres. Econômico, o bom velhinho anda sempre de busão e até juram que outro dia ele foi assaltado dentro de um dos sujos e imundos ônibus que fazem a linha para o campus. Aliás, fala-se que seu maior sonho é cursar Medicina numa universidade que nem hospital universitário tenha. Porém o Noel está ultimamente meio chateado: alguns políticos de Rondônia andam lhe fazendo muita concorrência. De fato, como presentear o povo se vereadores e deputados já o fazem? Se o velhinho fosse candidato aqui se elegeria para qualquer cargo a que concorresse.
 O nosso Papai Noel é realmente um amor de pessoa. Como um porco imundo, sempre viveu, mora e chafurda na lama e de nada reclama. Ama de coração sua feia e suja cidade. Nunca falou mal da poeira, da fumaça sufocante ou das alagações. É roubado e enganado sempre pelos políticos e nunca blasfemou contra seus algozes. Se tivesse filhos colocaria todos para estudar em escola pública, claro. Ele já pensou inclusive em consertar o porto do Cai n’Água e até em duplicar a BR 364, mas desistiu. Fala que vai construir uma nova rodoviária em Porto Velho e finalmente vai internacionalizar o aeroporto da cidade. Dizem que Noel dará de presente aos porto-velhenses uma rede completa de esgotos e de água tratada, raridades por aqui. Mas o melhor presente mesmo será para os funcionários públicos: a partir de agora, basta trabalhar seis meses que terão direito às férias e até viajar para o exterior. Viva o Noel!





*É professor em Porto Velho.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Hitler para presidente!


Hitler para presidente!


Professor Nazareno*

            
         O sucesso do Nazismo e de Adolf Hitler na Alemanha se deu por conta do desespero do povo alemão, insatisfeito com os termos do Tratado de Versalhes, logo após a Primeira Guerra Mundial. Menos de uma década depois do triste armistício a Alemanha, a outrora potência econômica da Europa e do mundo, era humilhada pelos países vencedores daquele conflito e o seu povo explorado ao extremo. Sem nenhuma perspectiva de futuro, os germânicos só pensavam em vingança e para isso, chega ao poder máximo do país um sujeito que nem alemão era: diante do perigosíssimo vácuo na política, o austríaco Adolf Hitler convence os germânicos de sua “superioridade” sobre os demais povos da terra e assim abre caminho para os arianos se vingarem da “maior injustiça já traçada contra seu povo”. Outra guerra agora é só questão de tempo.
                Guardadas as devidas proporções, o Brasil vive hoje na política um drama muito parecido com o da Alemanha das décadas de 20 e 30 do século passado. A política e os políticos há tempos perderam o seu valor entre nós. A roubalheira, a corrupção, os desmandos, a impunidade e a desfaçatez de nossos mandatários liquidaram a pouca credibilidade que ainda se tinha. O atual presidente do país, o golpista Michel Temer tem menos de 5% de apoio popular. Vários de seus ministros estão presos e muitos deles estão sendo investigados por falcatruas. Na maioria dos Estados e nos municípios o drama é o mesmo. Há muitos políticos respondendo processos e as operações da Polícia Federal não param. O que se ouve frequentemente é que boa parte do eleitorado vai anular o voto nas próximas eleições ou simplesmente se abster de votar em 2018.
            O Brasil vive hoje um perigoso vazio de poder onde a maioria da população não tem a menor confiança nos seus governantes. “Todos os políticos são ladrões”, é a cantilena nacional. Neste ambiente, aduba-se o terreno e cria-se o clima favorável para o aparecimento de um salvador da pátria. E muitos já estão com o “pé na estrada” para “salvar o país” dos aproveitadores. Basta verificar o que dizem as pesquisas eleitorais faltando pouco menos de um ano até as próximas eleições presidenciais. Levando-se em conta o perfil cultural do eleitorado brasileiro, podem-se esperar mudanças desastrosas no cenário político. A antológica estupidez do brasileiro e a sua falta de conhecimento na política associadas a pouca ou nenhuma escolaridade do cidadão comum podem nos levar a um desastre pior do que o vivido na Alemanha entre as duas guerras mundiais.
            A burrice dos brasileiros é tão grande que se Adolf Hitler fosse candidato a presidente do país, correria o risco de ser eleito com ampla margem de votos. Hitler, Idi Amin de Uganda, Pol Pot do Camboja, Jean Bokassa da República Centro-Africana, Stalin ou qualquer outro sanguinário e genocida ditador levaria a maioria dos votos dos brasileiros, muitos deles incultos e despolitizados. Óbvio que nenhuma destas figuras se levantaria do túmulo para incomodar nossos cidadãos, porém muitos dos seus seguidores e admiradores já estão em campanha aberta e pior: correndo sério risco de nos governar pelos próximos anos. Há políticos honestos, sim. Há muitos brasileiros que podiam governar o país de maneira séria, mas nenhum quer se associar a esta bandalheira que aí está. Se as coisas não mudarem, corre-se o risco de estarmos chocando o ovo da serpente. “Esse Hitler é paulista, mineiro, do PT, PP ou do PMDB”?




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Porto Velho de novo sem Natal


Porto Velho de novo sem Natal


Professor Nazareno*


Porto Velho é mesmo uma cidade amaldiçoada cujo protetor maior é o Satanás. Mais outro ano vamos ficar sem decoração natalina. Pelo menos é o que diz o atual prefeito Dr. Hildon Chaves. O mesmo que fez (falsas) juras de amor quando queria se eleger em 2016. “Porto Velho, eu vou cuidar de você. Curar tuas feridas, adornar teus canteiros, perfumar teus ares”. Os filhos da velha e abandonada rapariga caíram direitinho nas lorotas e enganações do candidato que dizia nem ser político. A desculpa dessa vez foi a eterna falta de recursos. Raríssimas vezes na história, essa currutela fedida teve iluminação e decoração natalinas que combinassem de fato com uma cidade que se orgulha de ser uma capital de Estado. Ji-Paraná, Cacoal, Vilhena e muitas outras cidades bem menores e mais pobres no Estado já mostram suas iluminadas avenidas.
Lâmpadas coloridas, renas, Papai Noel e enfeites de um modo geral não enchem a barriga de ninguém nem trazem dinheiro ou riqueza para os munícipes, mas tudo isso melhora a autoestima dos moradores de qualquer cidade. Paris, para onde nosso prefeito foi depois de trabalhar apenas seis meses, está um deslumbre. A Avenida Champs Élysées encanta o mundo. A noite na “Cidade Luz” vira dia nesta época. Gramado e Canela na Serra Gaúcha atraem milhares de turistas todos os anos para ver a iluminação e a beleza de suas iluminadas praças, avenidas e ruas. Curitiba, a bela e limpa capital do Paraná, está um deslumbre nestas festas de final de ano. Palmas no Tocantins dá gosto de se ver. E Porto Velho? O que tem para mostrar neste Natal e em tantos outros por que já passamos em meio ao lixo, à escuridão, à sujeira, à fedentina e à podridão?
Grande parte da população desta capital, e dos eleitores de Hildon Chaves, é composta de pessoas simplórias, sem leitura de mundo, sem informações e que por falta de dinheiro não viaja para nenhum outro lugar do mundo. Todos nós somos obrigados pelas circunstâncias a ter que ficar aqui e apreciar o “nada” que a cidade e seus administradores nos oferecem. Chuva torrencial, lama, carapanã, lixo boiando, violência, merda, escuridão é o que vemos todos os anos durante o Natal e o Réveillon de Porto Velho. Pior: a prefeitura ainda tenta cinicamente iludir a população dizendo que priorizou a iluminação pública em vez da natalina, que é passageira e provisória. Mentira deslavada, pois mesmo no centro há ainda muitas ruas escuras feito breu. Talvez seja para combinar com a ponte do rio Madeira. Não merecíamos coisa melhor?
O prefeito, neste aspecto, está muito pior do que Roberto Sobrinho do PT. Perde até para o “lento” Mauro Nazif. Quem não se lembra dos enfeites perto da rodoviária na Avenida Jorge Teixeira todos os anos? E apesar do horroroso “Natal dos pneus” de 2014, Nazif caprichou no ano seguinte com uma das melhores iluminações de Natal de toda a região Norte. Várias ruas e avenidas foram preparadas em grande estilo naquele ano. “Dr. Hildon, o povo daqui gosta de ver sua cidade bem iluminada e toda decorada nas festas de fim de ano! Por que o senhor e sua equipe não se prepararam para isso? Ou o senhor ainda está esperando pela chuva de bosta para começar a embelezar de fato a cidade que prometeu limpar, adornar e amar? Não é assim que se curam feridas. Melhore a nossa autoestima”. Como não viajarei, vou encher o rabo de cachaça ruim no Natal. E tomara que na noite de 24/12 chova muito, falte energia e não tenhamos festas.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 25 de novembro de 2017

Um povo sem História



Um povo sem História


Professor Nazareno*

            
          Desde a Idade da Pedra que os povos espalhados pelo mundo têm a sua História e o seu registro. Todos os países conhecidos, todas as comunidades, Estados, cidades, regiões, bairros, ruas, vilas e aldeias, enfim, todo aglomerado humano tem preservada a sua memória. Rondônia é um dos 26 Estados que compõem o Brasil, mas este Estado não tem História. A Construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré no início do século XX ligada ao Tratado de Ayacucho e ao Primeiro Ciclo da Borracha devia ser o marco inicial do que hoje é esta sofrível e esquecida unidade da federação. E de fato, é. Porém os quase dois milhões de habitantes daqui simplesmente desconhecem isto. Não só desconhecem sua própria biografia como de um modo geral participam ativamente da destruição do que restou do patrimônio histórico da velha e abandonada estrada de ferro.
            Sob o olhar complacente e cúmplice da população e também das autoridades rondonienses, a “Ferrovia do Diabo” deixou de existir já há um bom tempo. Do trajeto original de mais de 320 quilômetros entre Guajará-mirim e as Cachoeiras do Santo Antônio no rio Madeira praticamente não existe mais nada. Dos sete últimos quilômetros entre a hidrelétrica de Santo Antônio e Porto Velho, que resistiram um pouco mais no tempo, só restam lembranças amargas, matagal, ferros retorcidos, dormentes apodrecidos e muito abandono. Quase impossível caminhar ali sem ser ferrado por um bicho peçonhento ou picado por um inseto. O cemitério de locomotivas largado e apodrecendo solenemente dentro daquele matagal faz qualquer um que entenda um pouco de história chorar de tristeza. A “mãe de Rondônia” agoniza ao léu.
            Os rondonienses conseguiram em menos de cem anos destruir por completo um patrimônio histórico de grande valor para a humanidade. Nos países europeus, por exemplo, há História por onde se ande. Não é difícil ver relíquias arquitetônicas datadas de séculos, milênios. Isso depois de duas grandes guerras mundiais e de várias revoluções que varreram as cidades do Velho Continente. Nenhuma guerra aconteceu no solo da velha EFMM. Seus trilhos foram arrancados e hoje servem de proteção a muitas casas. A sua praça é hoje um dos maiores “santuários” de fezes humanas que existem na capital de Rondônia. Os rondonienses parecem odiar aquele espaço urbano: em toda festa e confraternização que se faz ali muitas garrafas pet, lixo, merda, papel e toda sorte de imundície são largados. Drogas e preservativos usados é o que mais se vê.
            Muita gente hoje, infelizmente, não quer saber de nenhum patrimônio histórico ou arquitetônico. Para muitos só interessa o dinheiro e nada mais. Durante a enchente histórica em 2014, as águas barrentas do rio Madeira avançaram lentamente sobre o que restava das carcaças enferrujadas da velha ferrovia. Como ninguém fez nada, o velho Madeira veio, veio, veio e parece que “se vingou” da arrogância, da falta de interesse histórico e da passividade mórbida dos rondonienses. Lama podre, peixes mortos, peças encharcadas, trens alagados e galpões danificados foi o resultado do desinteresse. O que ainda restava de História foi levado para o fundo do rio. Rondônia hoje não tem mais registro. É como se o lugar não existisse. O pouco que se sabe é contado por meio de relatos orais dos mais velhos aos mais novos. Aqui é como se fosse uma grande aldeia indígena. E quando caírem as Três Caixas d’Água, Rondônia desaparecerá para sempre.





*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Temer e Rondônia: encantos mútuos


Temer e Rondônia: encantos mútuos


Professor Nazareno*

            Michel Temer, o atual presidente golpista do Brasil, que já se livrou duas vezes pelo Congresso Nacional de ser investigado por sérias e graves acusações de corrupção, está em Rondônia. É muito difícil para um mandatário da nação querer viajar para este fim de mundo. A última vez foi a presidente Dilma Rousseff, que veio durante a enchente histórica de 2014 e praticamente não desceu do avião. Devido a pouca ou nenhuma importância de Rondônia no cenário nacional, geralmente Brasília manda assessores de terceiro ou quarto escalão, mas devem ter dito a Temer que Rondônia, também conhecida no anedotário nacional como Roubônia, é uma das 27 unidades da federação e que cinco dos seus oitos deputados federais votaram pela permanência dele à frente do Planalto. O eleitor comum das “terras de Rondon” deve amá-lo e venerá-lo.
            Com a absoluta certeza, Temer e sua gente ficarão encantados com a “capital da lama nacional”. Cidade suja, fedorenta e podre, Porto Velho, guardadas as devidas proporções, até que se parece com o governo do peemedebista. Além de muita merda, sujeira, lixo, ratos, urubus, tapurus, falta de esgotos e água tratada, pontos turísticos não faltam na “urbe rondoniana”. Aqui, ele pode visitar a ponte escura e ainda inacabada, aquela que liga o nada a coisa alguma. É preciso, no entanto, que seus assessores não o deixem pular de lá. O Brasil inteiro e também Rondônia chorariam tal desgraça. Ainda no rio Madeira, nossa maior autoridade poderia ver a mortandade de peixes que desce da hidrelétrica de Santo Antônio ou então o galpão da EFMM todo destroçado e ainda fedendo a fezes humanas e lama, resquício da última enchente. Temer ficaria encantado.
            Ali mesmo, no meio da sujeira, da imundície e da fedentina, ele poderia descer o barranco liso, íngreme e escorregadio enquanto apreciava o porto rampeado que foi doado pela Santo Antônio Energia e que hoje está lá parado sem nenhuma serventia. “Cuidado, para o senhor não cair, excelência!”, diriam os mais chegados e sorridentes aduladores já cientes de que ele nunca cai. A “comitiva de ouro” ficaria eufórica com tantas opções de turismo da “cidade do lodo”. Visitar o “campo de extermínio de pobres” situado na zona sul da cidade seria o máximo. Ver pobres morrendo à míngua sem precisar mexer na previdência nem ter que brigar com a oposição seria uma experiência encantadora. Trabalhar apenas seis meses, tirar férias normalmente e viajar para o exterior ou então governar usando um blog. Onde ele aprenderia estas inovações?
            E tudo isto sendo filmado e exibido pela TV Rondônia com uma hora de atraso em relação ao fuso horário de Brasília. Poucos podem ter esta incrível volta no tempo e assistir duas vezes ao Jornal Nacional no mesmo dia. O presidente poderia visitar o curso de Medicina da UNIR e entender por que lá nunca existiu um Hospital Universitário. Poderia também ir à zona leste à noite para se divertir ou então “navegar” na Rua Barão Rio Branco atrás da Praça Jônatas Pedrosa num dia de chuva. Se Michelzinho e Marcela aqui viessem iriam adorar.  Nos debates políticos ele aprenderia a não usar ideologia de gênero nas escolas e o porquê da militarização das mesmas em Rondônia. Será que ele distribuiria livros didáticos para os alunos? A comitiva presidencial só não iria à Câmara de Vereadores de Porto Velho nem à Assembleia Legislativa do Estado para não contaminar aqueles ambientes de honestidade e candura.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Deixem as escolas em paz!


Deixem as escolas em paz!


Professor Nazareno*

            
           De um modo geral nem as escolas nem a educação no Brasil jamais tiveram qualquer importância para a sociedade ou sequer seus objetivos foram discutidos em profundidade. As autoridades e a elite dominante desde os tempos da Colônia sempre sabotaram o saber para as classes menos privilegiadas. Como consequência deste absurdo, temos um dos piores sistemas de educação do mundo. Os políticos brasileiros nunca se preocuparam com a educação do povo. Porém, desde o golpe parlamentar dado em 2016 que se tem observado uma guinada à direita em nossa sociedade. Os direitistas, reacionários, religiosos e conservadores começaram a se interessar pela escola, que escolheram como alvo para impor sua maneira de pensar e agir. Desde então, essas escolas não têm tido sossego. Essa gente está à espreita e querendo “alguma coisa”.
            Em Ariquemes, o prefeito local investiu contra as escolas do município. Em conjunto com meia dúzia de pais, evangélicos em sua maioria, decidiu proibir a distribuição aos alunos de livros didáticos que falavam sobre os novos de tipos de família. Inconformado, ameaçou rasgar todas as páginas que tratavam do assunto. Depois do escândalo nacional, da vergonha que Rondônia passou, da ameaça à Constituição e de decisões dos Ministérios Públicos, recuou por enquanto. Em outro flanco, alguns deputados estaduais querem impor a militarização de vários estabelecimentos de ensino. Escolas militares devem existir, mas escolas militarizadas beiram a estupidez. A ideologia militar está ultrapassada. Militares devem se preocupar com segurança e não com educação, já que nenhum professor quer “educar” a PM.
            Recentemente alguns políticos espertalhões tentaram tirar proveito do sucesso do colégio João Bento da Costa de Porto Velho. Propuseram à escola uma “moção de aplauso” e outras tolices somente para passar a impressão de que estão preocupados com a educação pública. Só conversa fiada mesmo, pois se estivessem, procurariam saber o porquê de outras escolas de Rondônia não terem o mesmo desempenho do JBC. Sou professor no João Bento há quase vinte anos e reconheço que ainda falta muita coisa para que ela seja uma escola de qualidade. Receber prêmios idiotas e sem sentido pode nos trazer o comodismo, por isso recusei todos. Alguns vereadores de Porto Velho, no entanto, continuaram a sua investida contra as escolas: dessa vez foi o desejo ditatorial de se proibir pura e simplesmente a ideologia de gênero dentro das mesmas.
A escola, qualquer escola, deveria ser um território de ideias livres. A dialética deve permanecer dentro delas e tudo deve ser ensinado e discutido. Todas as ideologias, todas as religiões, inclusive a não religião, já que vivemos em um Estado laico, todas as correntes políticas e ideológicas, todos os saberes. Em casa, a família deve dar o complemento e ensinar boas maneiras e civilidade. A religião não pode interferir na aprendizagem de ninguém. Esses cidadãos deveriam lutar para implantar escolas de tempo integral em Rondônia e em todo o Brasil. Deveriam buscar mais recursos para melhorar o nosso fraco ensino. Deveriam fazer como faz a maior parte dos políticos no mundo civilizado. Por isso, religiosos, políticos e militares, deixem as nossas escolas em paz! Se vocês as usassem para melhorá-las já seria um grande avanço. Parem de usá-las apenas para fins de promoção pessoal e para impor suas ideologias e suas religiões.





*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Professores do João Bento “acertam” tema da redação do ENEM/2017


Professores do João Bento “acertam” tema da redação do ENEM/2017


De um modo geral, o tema da redação do ENEM/2017 foi alvo de muitas reclamações dos alunos pelo Brasil afora. "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil" foi a proposta que desagradou a muitos estudantes. Para eles, essa proposta de tema foi confusa e também surpreendente. Mas este não foi o sentimento dos alunos da Escola Professor João Bento da Costa de Porto Velho. Há menos de duas semanas foi trabalhada na escola uma redação no IV Simulado cujo tema “A questão da inclusão das pessoas com deficiência” abordava com detalhes essa delicadíssima questão social. Os dois temas, claro, não são totalmente idênticos, porém as abordagens estruturais dos dois textos são as mesmas. Enquanto o tema do João Bento foi mais abrangente, o do ENEM foi mais específico. “O aluno do João Bento que fez a redação no IV Simulado da escola não teve nenhuma dificuldade para se dar muito bem na Redação do ENEM”, avaliaram alguns professores de Linguagens da escola.
A professora Heloísa Helena Ramos de Língua Portuguesa e Interpretação de Textos dos terceiros anos da tarde foi quem escolheu o tema para o simulado da escola. Junto com outros professores já aplicaram e corrigiram somente neste ano de 2017 mais de 12 mil redações dos alunos. Cada aluno fez uma média de 15 textos durante o ano letivo. “Na escola João Bento temos uma maravilhosa equipe de Linguagens que sempre visa ao bem de todos os alunos que vão para o ENEM”, resumiu um dos mestres da equipe sem esconder a alegria. Além da professora Heloísa Helena e do professor Nazareno, que ministra Redação, a equipe de Linguagens da Escola João Bento da Costa é formada pelos professores Diniz de Albuquerque de Literatura, Allan Ferreira de Gramática e Joana Camilo também de Literatura. Os professores de Linguagens e Redação dos primeiros, dos segundos anos e do EJA também colaboraram para o sucesso da escola como um todo. No primeiro dia de provas do ENEM/2017, um domingo, como acontece todos os anos, a Direção da escola, todos os professores e funcionários vestiram literalmente a camisa do João Bento e fizeram um “Pit Stop” para recepcionar os alunos em quase todos os locais de provas.
Muitos alunos da escola estavam eufóricos após a prova. “Estudar numa escola como o João Bento da Costa faz toda a diferença” disse a aluna Steffane Santos. Nas redes sociais não se falava de outra coisa entre os eufóricos e alegres alunos. Já a aluna Iza Ribeiro disse que quando viu o tema começou a rir de alegria. “Vale a pena estudar numa escola como o João Bento”, disse. O diretor, professor Chiquinho e a vice-diretora Professora Lady estavam muito eufóricos também. “Aqui na escola fazemos tudo para contemplar os nossos alunos, que são o objetivo final do nosso trabalho”, disse o diretor. “Estamos nos preparando para o próximo domingo, pois a guerra ainda não terminou. Teremos mais outra batalha”, finalizou a vice-diretora. Este ano o João Bento da Costa funcionou com 20 turmas de terceirão além dos primeiros, segundos anos e todo o pessoal do EJA. Um total de mais de 800 alunos fizeram o ENEM em 2017. “Aqui o trabalho não pode parar nunca”, disse o diretor Chiquinho. E continuou: “já estamos nos preparando para 2018, pois escola pública de excelência existe sim em Rondônia”, finalizou.

domingo, 5 de novembro de 2017

Direitos humanos para quê?


Direitos humanos para quê?


Professor Nazareno*

            
               Muita gente sabe e aceita que no Brasil lugar de mulher é na cozinha, arrumando a casa, fazendo a comida, cuidando do marido e dos filhos. Sempre foi assim e não deveria mudar nunca. Desde o início dos tempos sempre coube ao macho as suas árduas tarefas e à mulher também as suas, mas devidamente especificadas. O homem, o varão, o provedor da família é aquele que sustenta todos com o seu duro trabalho e o seu suor diário. É ele que dá o suprimento, o sustento e a continuidade para a existência da família, que sem ele praticamente não existiria. Porém ultimamente, tem-se observado uma esquisita vontade de mudar estes preceitos já aceitos e delineados pelos livros sagrados e até pela vontade divina. A mulher tem que reconhecer o seu lugar na sociedade e ficar satisfeita com o muito que já conquistou em termos de mudanças.
            Como morre de trabalhar para dar o sustento a todos, o homem pode sim, bater e espancar a mulher quando bem lhe convier. Afinal, a lei e a ordem devem ser mantidas dentro de um lar. Caso contrário, tudo vira bagunça. Por isso, a Lei Maria da Penha pode ser um grande equívoco da nossa sociedade. E estão querendo mudar tudo isso. É querer jogar na lama o valoroso trabalho dos homens. Coisas estranhas andam acontecendo em nossa sociedade ultimamente. O tema da redação do ENEM/2017, por exemplo. Inclusão de surdos e mudos? Para quê? Esses seres deficientes não produzem, numa realidade capitalista, tanto quanto os outros cidadãos “normais”. Então se forem contratados, devem ganhar sempre menos. Todos os portadores de qualquer deficiência, física ou mental, não deveriam entrar “em pé de igualdade” no mercado de trabalho.
No sistema prisional do Brasil o que se tem visto agora é uma verdadeira aberração. Dizem que estão querendo fazer justiça para os presos. Ora, todos os detentos deveriam ser eliminados. A pena de morte deveria existir há tempos em nosso país. Assim, não teríamos mais nenhum presidiário dando prejuízos ao Estado. Deviam-se recriar os DOI-CODI dos tempos da ditadura militar só para torturar os engraçadinhos que insistissem em não seguir a lei. Em Porto Velho, a sede seria na Avenida Farquar. Os direitos humanos foram criados só para privilegiar bandidos e malfeitores. A nossa sociedade seria bem melhor se não existisse mais essa tolice. O Brasil deveria não mais pertencer a essa convenção absurda que inventou esta porcaria. Aqui o bom seria assim: quem errou que pagasse pelos seus malfeitos. Olho por olho, dente por dente e pronto.
            O controle da imprensa deveria existir entre nós, pois a família precisa de proteção. O Estado não poderia jamais ser laico e quem ousasse seguir uma religião diferente do que prega a Bíblia Sagrada deveria ser condenado à morte ou mesmo à prisão até aprender a respeitar Deus. A cura gay seria incentivada em todos os casos de perversão. A maioridade penal seria aos 16 anos para acabar a violência. Ateus, negros e pobres deveriam reconhecer seu lugar na sociedade para evitar mais problemas. Os estupradores seriam também estuprados na prisão e a polícia espancaria até a exaustão todos os meliantes presos em flagrante. Todas as escolas seriam militarizadas e a ideologia “escola sem partido” adotada nelas. Se alguém acha que tudo isso são bobagens, creia que hoje o STF já permite que um aluno que pensar assim tire nota máxima na redação do ENEM. É o “progresso” chegando ao Brasil. Aleluia, irmãos!




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

“Aluga-se pneus para vistoria”


“Aluga-se pneus para vistoria


Professor Nazareno*

            A placa do título, com um incrível erro de gramática normativa, pode ser vista sem nenhum problema em frente a qualquer prédio do DETRAN espalhado pelo Brasil. Um absurdo levando-se em conta que o problema da corrupção e do jeitinho é uma praga que já devia ter sido extinta há tempos do nosso cotidiano. Aqui, infelizmente, a roubalheira e a ladroagem não podem ser apenas creditadas aos políticos e às autoridades. O cidadão comum pratica a desonestidade de maneira quase normal no seu dia a dia. Sermos roubados pelas “balanças” velhas e carcomidas das feiras livres, dos açougues das periferias e de muitos supermercados é algo rotineiro num país onde quase todos procuram levar vantagem em tudo. O roubo, punido exemplarmente nas sociedades civilizadas, é prática comum que já faz parte da nossa triste e infeliz cultura.
            Chamar os políticos de ladrões, corruptos e desonestos virou um esporte nacional. Porém muitos não levam em consideração o fato de que todos os nossos representantes são escolhidos pelo povo e saem, evidentemente, do seio da própria sociedade. No Brasil os políticos não são honestos em sua maioria por que representam pessoas também desonestas. “Ladrões grandes que representam ladrões pequenos”. Raríssimos são os eleitos que trabalham duro em benefício de quem o elegeu. Por isso que não há sociedade honesta com governo corrupto ou vice-versa. Basta ver as pesquisas de opinião sobre as próximas eleições. Os mesmos ladrões do povo serão eleitos e reeleitos tranquilamente. O Amazonas já deu o sinal de que nada vai mudar. Um ou outro malfeitor pode não ser eleito, mas a estrutura maior será preservada.
            Lamentavelmente continuaremos ainda por muito tempo nas mãos dessa gente que finge governar todos enquanto em surdina só olham para seus próprios bolsos. Seremos vítimas de nossas próprias escolhas já definidas antes do pleito. Nenhum partido político cortará na própria carne. Muda-se apenas o discurso e os mesmos serão colocados para a aprovação popular. O atual presidente da República, o golpista Michel Temer sequer será investigado. Aécio Neves, com fartas provas de atos ilícitos, foi absolvido tranquilamente no STF. Lula não foi preso e nem vai. E o pior: o miserável “sapo barbudo” ainda será reeleito presidente da República apesar de tudo. Não teve Mensalão, não teve Petrolão, não teve Pasadena, não teve Palocci. Nada o atingiu. Nem a ele nem a outros caciques. Quanto mais corrupto e desonesto, mais amado pelo povão.
            Abastecemos nossos carros em postos de gasolina com contagem de combustível adulterada. Compramos produtos industrializados maquiados. Consumimos frutas e verduras envenenadas com agrotóxicos. Caminhamos em ruas sujas e emporcalhadas sem saneamento básico. Somos enganados e roubados todos os dias e por isso achamos também que podemos enganar e roubar os outros. Assim, compramos dispositivos que mostram radares eletrônicos. Aqui, é quase todo mundo tentando enganar o próximo. Essa situação dificilmente mudará enquanto não tivermos a consciência do que é uma verdadeira nação justa onde a maioria será beneficiada. Em Rondônia, crianças queimadas servem como isca para se arrecadar dinheiro para terceiros. O Poder Público está repleto de comissionados em vez de concursados. Breve, o ENEM/2017 será realizado. Não vazou a prova ainda? Triste, mas o nosso maior erro não é só gramática.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 28 de outubro de 2017

Confissões de um bandido

Confissões de um bandido


Professor Nazareno*

            
         Miguel das Beiradas sempre foi um bandido de carteirinha. Filho de uma família de classe média e muito ambicioso nunca escondeu seu desejo de ficar rico nem que fosse à custa dos outros. Hoje, administra um cabaré da periferia que tem muitas putas e a fama de sempre atender mal aos seus clientes. O dito puteiro sempre foi a salvação moral das famílias da redondeza e por isso conta com a permissão de todos para funcionar. Miguel não deveria ser o administrador daquele inferninho, mas através de suas artimanhas conseguiu chegar facilmente à liderança daquela Casa da Mãe Joana. É odiado por quase todos que vivem ali. Tem menos de três por cento de popularidade, mas insiste em ficar no comando daquele antro de perversão. Miguel e seus comparsas sempre acreditaram ser os salvadores do bordel, por isso não vão sair tão fácil dali.
            Outro dia, muito irritado com algumas críticas, o bandido desabafou: “as senhoras da alta sociedade, alguns políticos, a mídia, os empresários, os reacionários em geral, a Igreja e muitas pessoas de bem bateram panelas para que eu assumisse o comando dessa zona e agora muitos começam a me fazer críticas”. E continuou: “a verdade é que este prostíbulo nunca teve organização, nunca teve justiça social, nunca teve preocupação com os mais necessitados e toda a riqueza que produziu sempre foi parar nas contas dos mais ricos, dos mais ladrões e dos corruptos, por que querem que eu faça o milagre de consertar as coisas em tão pouco tempo”? Questionou com certa razão. Ele ficará à frente do lupanar de quinta categoria mesmo que funcionários e clientes não aceitem. Não há, por enquanto, ninguém hábil para comandar aquele lugar.
            “Esse meretrício não terá jeito nunca. As quengas daqui são passivas demais, muitas vezes elas trabalham de graça e ainda têm que pagar pelos preservativos”, falou o escroque político com certo conhecimento. Realmente: no harém nada funciona. Ninguém contesta nada. Todo mundo é roubado, vilipendiado, humilhado e todos ficam à espera de um salvador da pátria que nunca chega. O mundo inteiro olha para o rendez-vous com ar de pouca credibilidade. “Eu vou mudar as leis deste putanato para colocar as coisas em ordem”, costuma bradar na mídia o impopular mandatário. “Darei incentivo ao trabalho escravo, cortarei empregos, venderei a preço de banana as riquezas que temos, diminuirei o salário de todos e criarei privilégios somente para os meus amigos”, costuma se orgulhar, certo de que nada vai lhe acontecer na Justiça.
            E continuou: “todo mundo sabe que neste covil nunca houve justiça social ou qualquer outra coisa que beneficiasse os mais pobres e carentes, por que só agora me cobram essas sandices?”, questionou enfaticamente. Por se tratar de um inexpressivo conventilho de mundanas tudo ali funciona “a meia boca”. Os três poderes estão totalmente desmoralizados, os políticos desacreditados, em algumas partes o crime organizado manda no Poder Público, a baderna e o caos ameaçam tomar conta de tudo, o descrédito é geral, mas ainda assim não há a menor possibilidade de convulsão social. Nesta casa das tias, de acordo com a lei, só três coisas não se podem fazer: dirigir embriagado, se envolver sexualmente com menores de 18 anos e atrasar pensão judicial. O resto, em tese, é tudo permitido: roubar o Erário, desviar verbas da Educação, mentir para ser eleito e enriquecer ilicitamente. Em que outro bacanal ou motel se vê isso?





*É Professor em Porto Velho.