domingo, 7 de janeiro de 2018

Direita x Esquerda: estupidez?


Direita x Esquerda: estupidez?


Professor Nazareno*

            A luta ideológica entre progressistas e conservadores que aparenta existir no Brasil é uma farsa. Fala-se que as eleições presidenciais deste ano prometem um embate feroz entre os dois grupos. Ledo engano. Com menos de 20 por cento de seus eleitores conscientes e devidamente politizados, o pleito será marcado pelos candidatos que melhor souberem enganar seus eleitores. “No Brasil não existe direita nem esquerda, mas um punhado de políticos ladrões que sempre se juntam para roubar o Erário”, disse certa vez o colunista Diogo Mainardi.  Nem Lula é da esquerda e muito menos Jair Bolsonaro é da extrema direita. E tudo indica que os dois se engalfinharão na luta pela preferência do eleitorado. Isso se a elite do país permitir a candidatura do petista, que será julgado proximamente ou a mídia não destruir as pretensões do capitão reacionário.
            Pobre Brasil, que terá um dos dois como o próximo presidente da República. A ignorância de grande parte do eleitorado não consegue ver nada melhor para votar. E o pior é que parece não existir opção melhor do que eles. Bolsonaro é a medida certa para os eleitores desesperados e sem nenhuma leitura de mundo. Assim como o Collor iludiu grande parte dos brasileiros dizendo que era o caçador de marajás, Bolsonaro acena para os mais radicais e burros dizendo que vai fazer de tudo se eleito. Nem Collor caçou marajá nenhum nem o chamado “Bolsomito” vai prender qualquer corrupto. Já Lula é a panaceia milagreira dos esquerdistas. O homem que não vai mais roubar e vai governar para os pobres. Coisa que não fez em oito anos. E nenhum deles governará para os mais necessitados. Nenhum está preocupado com o povão e os brasileiros de um modo geral.
            Nem Lula muito menos Bolsonaro fará jorrar mel e leite das ruas como seus eleitores tolamente acreditam. A campanha eleitoral ainda nem começou e muita gente já está escolhendo suas preferências sem nem observar a viabilidade das propostas apresentadas por cada um deles. Qual dos dois promete, por exemplo, criar sistema de educação integral nas nossas escolas? Qual dos dois promete investir em educação de qualidade? Embora se diga que estão subestimando a popularidade do ex-militar, não creio que ele tenha mais eleitores do que o petista. Quem vota no Lula tem a mesma massa cinzenta do eleitor do Bolsonaro. Ninguém quer pensar no Brasil, apenas em suas próprias necessidades. Sem nenhuma ideologia ou convicção política, os eleitores mandarão de novo para o Planalto um presidente sem nenhuma identidade com o país.
            O Brasil não precisa de salvadores da Pátria, mas de alguém que tenha a vontade de resolver os problemas seculares que enfrentamos. E isso se faz com tenacidade e empatia com o próximo. Se o futuro governante não tiver espírito coletivo, seriedade e honestidade, de nada adiantará ficar quatro anos fingindo nos governar. Vivemos um hiato político perigoso: o desprestígio da classe política fará aparecer “um Deus” que tudo resolverá. A vitória de Jair Bolsonaro ou de Lula apenas adiará a concepção de uma nação justa para com os seus habitantes. Estamos vivendo em uma “sinuca de bico” e não sabemos o caminho que devemos seguir. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Nem direita, nem esquerda. Nada de extremismos tolos, nem de vinganças premeditadas e inócuas. O Brasil precisa de ações que possam fazer uma das maiores economias do mundo ser um lugar próspero e justo. Lula e Bolsonaro sabem disto?




*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Bairro São João em Calama/RO


Bairro São João em Calama/RO


Professor Nazareno*

           
           Falar sobre o bairro São João de Calama/RO, a “Veneza esquecida do Madeira”, é falar sobre a própria vila. Distrito mais antigo de Porto Velho, a capital de Rondônia, a vilazinha remonta aos idos do antigo Primeiro Ciclo da Borracha ainda no século dezenove. Situada estrategicamente entre três rios, o Madeira, o Machado e o Maici e a floresta amazônica, tem seu nome provavelmente ligado às “palmeiras calamenses” que são abundantes na região. Outros dizem que o nome da vila se refere às iniciais de uma companhia de látex, a Companhia de Látex do Madeira, de Ji-Paraná. De qualquer forma, Calama é um desses paraísos ainda não descobertos da Amazônia Ocidental. Tem seu povo constituído na maioria por pessoas simples e humildes, gente boa como pescadores, agricultores, funcionários públicos e ainda alguns descendentes dos índios Parintintins.
            O bairro São João é o núcleo principal da vilazinha. É onde se situa a igreja de São João, padroeiro do lugar. E é a própria história de Calama. De frente para o imponente rio Madeira, a meia distância entre o rio Machado e o paradisíaco rio Maici, o bairro é o retrato mais perfeito da comunidade. Por displicência das autoridades, perdeu recentemente o casarão histórico que adornava o barranco agressivo. Hoje a vila corre o risco de desaparecer sob as águas caudalosas do rio que lhe banha. O barranco avança sem piedade, mas seus moradores são heróis esquecidos que não arredam pé dali e sem recursos, lutam como bravos guerreiros para manter tudo aquilo preservado. Mas a vila não pode desaparecer, jamais. O bairro São João assim como a vila inteira têm muitas histórias. Seus moradores, suas pontes, seus personagens deixaram marcas indeléveis e inesquecíveis.
O fim de Calama, entretanto, seria o fim de uma época. O começo da História de Rondônia está testemunhado naquelas barrancas, outrora repletas de “pelas” de borracha e outros produtos amazônicos e hoje essas mesmas barrancas estão quase esquecidas pelo poder público. Os velhos casarões do Segundo Ciclo da Borracha e hoje caindo literalmente aos pedaços dão pena a quem os observa. A construção das hidrelétricas no Madeira também não trouxe boas notícias para aquele povo ribeirinho: entre Porto Velho e o distrito de São Carlos em breve ficarão bem pior as condições para a navegabilidade. Dificuldades aumentarão e pode demorar ainda mais a viagem de barco até a capital. Por conta do “estupro” sistemático do rio Madeira, a oferta de peixes e outros produtos diminui a cada ano e não se veem medidas efetivas de compensação para a população carente.
            Impossível não se lembrar da Calama do Senhor Benjamim Silva, o “médico” da região. De Alfredo Teles, um grande batalhador dos ribeirinhos e administrador do distrito.  Do professor Goldsmith Correa Gomes, que poderia ser o nome da escola. Do comerciante Joaquim Pires, da Dona Mercedes, do Chico Prestes, do Ivo Santana, do Santa Bárbara, do Pedro Silva, dos Botelhos, dos Pantojas, do Torquato, do Caíco, do Caboclinho Neves, do Balbino, do Sr. ZUI, do Padre Vitório e de tantos outros heróis lembrados pelos moradores. Como esquecer o bom futebol de Calama que já exportou craques até para a Europa? O clássico local Remo X Ponte Preta que já não existe mais? O São Francisco e tantos outros bons times? O peixe com farinha, a carne de caça, o encontro das águas, o fenômeno das terras caídas, as enchentes e as muitas pessoas que se perderam em suas traiçoeiras matas?
A secular Calama é assim mesmo: combina o velho com o novo sem perder o seu charme, o seu encanto. Luta para ter internet de qualidade. Resiste a toda forma de agressão e não se deslumbra com o moderno. Suas duas pousadas: a do Domingos e a do Abelha refletem a tranquilidade local. Mãe de toda a Rondônia e de partes do sul do Amazonas, a pacata vilazinha observa atentamente, como uma verdadeira matriarca que é, o desenvolvimento dos filhos e pede para viver confortavelmente no seu anonimato para que possa ter mais alguns anos de vida. Existe progresso melhor do que ter uma vida pacata? Mas a violência, as drogas, a pressa, e as mazelas de um mundo dito desenvolvido e civilizado já insistem em dar as caras por lá, infelizmente. Porém a vila e o seu bairro São João resistirão bravamente a tudo. Prova disso foi a heroica resistência à enchente histórica de 2014. Ela não assusta com nada. Prossegue sua vida mostrando bravura ao mundo.




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Lula, o anticristo endeusado


Lula, o anticristo endeusado


Professor Nazareno*

            
         O Brasil decididamente nunca foi um país sério. Não há um único setor em que tenha destaque internacional. Somos a chacota do mundo. Ninguém nos leva a sério. Somos a vergonha do planeta na economia, apesar de figurar entre as dez maiores, somos “um nada” na educação, não temos política externa eficiente, pois somos “um anão diplomático”, não temos a bomba atômica, não temos Forças Armadas decentes e na política, damos aulas de corrupção, de roubalheira e de como não respeitar os cidadãos que pagam impostos. Pior: não sabemos escolher os nossos representantes. Este ano, as pesquisas dizem que Lula, o “sapo barbudo”, ganhará as eleições se for candidato, apesar do sítio de Atibaia, do tríplex do Guarujá e outros escândalos. Agora em janeiro será julgado em segunda instância e se condenado pode ficar fora do páreo.
            Lula foi na política nacional uma das piores desgraças que nos aconteceu. Semianalfabeto, o sindicalista do ABC paulista entrou na política prometendo distribuir as riquezas nacionais entre a população mais carente. Crítico feroz da rica elite do país, o metalúrgico mudou de opinião e para chegar ao poder se aliou covardemente a todos aqueles que criticou. Os seus governos foram uma farsa sem tamanho. Com trânsito livre entre os menos privilegiados, soube como ninguém prometer “mundos e fundos” aos necessitados. Era outra mentira dos petistas: como distribuir a renda dos seus novos e ricos amigos àqueles que os elegeram? Lula se aliou a José Sarney, a Jáder Barbalho, a Antônio Carlos Magalhães, a Collor e a Paulo Maluf, que hoje está preso em Brasília. Pelo poder, o sindicalista virou elite e se deleitou em explorar os pobres pelo país afora.
            O eleitor do Lula e do PT de um modo geral é tão simplório e cego que não percebe o mal que eles, os petistas e esquerdistas, também fizeram ao país. Pior do que se unir à elite rica foi a transformação do Estado brasileiro em uma ala do seu partido. O Mensalão explodiu já em 2005 e o Petrolão pouco tempo depois. Além do mais, o PT se uniu às empreiteiras e a seus executivos para dilapidar os cofres da nação. Hoje, muitos petistas estão atrás das grades ou respondendo a processos na Justiça e na Lava Jato. Não se sabe quanto de dinheiro sujo circulou pelos esgotos clandestinos do PT. Lula não investiu em educação de qualidade muito menos distribuiu riqueza como havia falsamente prometido. O pouco que fez foi só no varejo. E mesmo assim, algumas ações típicas para enganar os babacas que ainda insistem em votar nele e em seu partido.
            Os treze anos em que o Partido dos Trabalhadores esteve no poder foram iguais aos outros 504 em que a elite mandou. Os pobres ficaram mais pobres e os ricos mais ricos. É a síndrome da Casa Grande e Senzala. A distribuição de renda é uma promessa só para ganhar o voto dos mais incautos. Lula hoje toma vinhos caros e vive muito melhor do que qualquer metalúrgico. Não entendo por que quer governar de novo o país se já o fez desgraçadamente por duas vezes seguidas sem realizar o que havia afirmado. Lula é corresponsável pelo golpista Michel Temer e por toda esta crise política e econômica que vivemos hoje. A ideologia do PT é só o poder, nada mais. Só os seus seguidores que não conseguem ver. “Os companheiros”, cegos pela ideologia e querendo vingar o golpe sofrido, ao votar nele não veem o mal que vão fazer ao Brasil e ao seu povo. Fato: a esquerda no poder roubou tanto quanto a direita. Credo em cruz!




*É Professor em Porto Velho. 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Jair Bolsonaro, o embuste


Jair Bolsonaro, o embuste


Professor Nazareno*


O deputado federal Jair Messias Bolsonaro provável candidato da extrema direita à presidência da República em 2018 é uma farsa das mais bem orquestradas na política deste país desde a ascensão de Getúlio Vargas ao poder na década de 30 do século passado. O militar aparece nas pesquisas de opinião com números robustos e se tudo se confirmar, deverá estar no segundo turno das próximas eleições com Lula ou outro candidato qualquer. Porém, representa tudo do mesmo: a mentira, a desfaçatez, o discurso de cachorro louco, a rompança desmedida e principalmente a esperança de dias melhores. Tudo isto já foi visto e vivido na política brasileira e não levou a nada.  Collor é um dos maiores exemplos desta pantomina desnecessária e tresloucada. Se eleito, Bolsonaro não poderá emplacar nem dez por cento das maluquices que alardeia fazer.
O que os conservadores e reacionários eleitores do Bolsonaro não querem entender é que se tiver a infelicidade de ganhar o pleito, o seu candidato não pode fazer absolutamente nada do que promete nos palanques e nas redes sociais. Seu discurso radical só serve para angariar votos. Ele será candidato a um cargo no Poder Executivo, que não governa sozinho um país. Existe o Congresso Nacional, o Poder Judiciário, o Ministério Público e também a opinião pública e a oposição. Isso sem falar na conjuntura política internacional que de certa forma exerce influência nas decisões governamentais tomadas pelos dirigentes de alguns países. O Brasil pertence à OEA, Organização dos Estados Americanos, à ONU e a várias outras organizações como o MERCOSUL, BRICS, G-20 e é signatário de vários acordos, convenções e tratados.
O mundo mudou, e muito, depois da aventura militar de 1964 no Brasil. E Bolsonaro sabe disto. Ele mesmo não tem quase nenhuma aceitação nos quartéis. Torturas, perseguições políticas, maus tratos a oposicionistas, conchavos espúrios, golpes, decisões antidemocráticas, desrespeitos aos direitos humanos, imposição de ideologias fracassadas não são mais aceitos como meios de se governar uma nação moderna. Ele é o primeiro a não acreditar nas tolices que tanto prega. Usa a mídia e o seu discurso ultrapassado e recheado de ódio apenas para cooptar votos dos eleitores mais estúpidos. Ninguém governa sozinho um país complexo como o Brasil nas atuais circunstâncias. Por isso, o capitão é uma farsa naquilo que prega. É um engodo que só tem aceitação na cabeça dos cidadãos menos escolarizados e vingativos na política.
Quem vota em Jair Bolsonaro e o admira pelo que ele defende ou é uma pessoa de má índole, cheia de péssimas intenções ou simplesmente não entende nada de política e civilidade. Geralmente são jovens que não viveram as agruras do regime militar ou as “viúvas saudosistas” da ditadura cruel e desumana que vivemos entre os anos de 1964 e 1985 do século passado. Como pode um indivíduo ser considerado um mito se demonstra ser racista, xenofóbico, homofóbico, ditador, defensor da tortura, dos maus tratos, dissimulado, instigador do ódio, machista, misógino dentre tantas outras “qualidades e atributos” tão questionáveis? Há sete legislaturas, ou seja, há quase 30 anos consecutivos, ele é deputado federal e neste tempo que projetos de leis de sua autoria foram aprovados? O que fez de bom para o país e o povo a ponto de ser quase canonizado pelos seus fiéis defensores? Não está na hora de quebrar o ovo da serpente?





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Infeliz Natal e Ano Novo pior


Infeliz Natal e Ano Novo pior


Professor Nazareno*

            
         A surrada e mentirosa frase “Feliz Natal e Próspero Ano Novo” dita de forma tão natural nos finais de ano apenas mostra a hipocrisia secular em que nós brasileiros vivemos. Não precisa fazer análises profundas dentro da nossa sociedade para observar o quão absurda é essa felicitação. Em quase todos os aspectos da vida nacional o que se vê é um pessimismo sem tamanho. Na política, por exemplo, o festival de roubalheira e corrupção quase não tem fim. Dos quase 600 congressistas que temos, um terço deles está respondendo a processos e também enrolados com a Justiça. Não há um único Estado que não tenha “representantes do povo” sendo investigados. O presidente do Brasil, o golpista Michel Temer, chegou a ser o mais impopular presidente de país no mundo com pífios 3% de aprovação. Perdia até para a margem de erro das pesquisas.
            O ano que ora se encerra foi uma verdadeira calamidade para quase todos os brasileiros. O preço do gás de cozinha bateu recorde por cima de recorde. A gasolina subiu de preço toda semana. A inflação disparou, mas a mídia insistia em dizer que estava diminuindo. O desemprego aumentou, os funcionários públicos foram e ainda estão sendo perseguidos sem tréguas. O trabalho escravo deu as caras. A roubalheira dos políticos continuou dilapidando o Erário. Vários Estados não pagaram o salário aos funcionários. Temer foi liberado duas vezes pela Câmara dos Deputados. Nem Aécio Neves nem Lula foram presos. Gilmar Mendes do STF soltou quase todos os presos sob sua jurisdição. A impunidade aos mais ricos correu solta. O futebol brasileiro praticamente perdeu todas as competições de que participou, exceto a Libertadores.
            Acomodados e acovardados atrás das redes sociais, a maioria dos brasileiros não bateu mais em panelas diante dos escândalos quase diários que apareciam na mídia. Várias lideranças populares foram mortas. A TV Rondônia sempre transmitia o Jornal Nacional com mais de uma hora de atraso.  O porto do Cai N’Água não foi consertado. A extrema direita invadiu as escolas e proibiu uma série de avanços antes conquistados a duras penas. O movimento escola sem partido passou a dar as cartas em vários estabelecimentos de ensino pelo país afora. A ideologia de gênero foi proibida e até livros didáticos foram censurados. Em Rondônia, na maior cara de pau, a direita ameaçou militarizar quase todas as escolas estaduais. E Porto Velho continuou sendo uma das piores cidades do Brasil em IDH, apesar das promessas do novo prefeito.
            Tendo que olhar para cima para ver o fundo do poço, o brasileiro não pode ouvir cinicamente que terá um Ano Novo repleto de coisas boas. Muito menos um feliz Natal. Em 2016 disseram essas mesmas lorotas e 2017 foi esta maldição toda. As perspectivas para o próximo ano, no entanto, não são nada animadoras. Será provavelmente aprovada a draconiana reforma da previdência e quase todos os deputados estaduais, deputados federais, senadores e governadores serão reeleitos. Uma multidão de políticos da pior espécie rumará para Brasília a partir de 2018 para acabar de dilapidar o país. Por mais quatro anos, o Brasil continuará na merda de sempre. As angústias deste ano parecem fichinha diante do que está por vir. A única alegria será ver o Brasil perder de novo a Copa do Mundo. Esperar que Lula, Jair Bolsonaro, Marina Silva, Geraldo Alckmin ou outra desgraça que seja eleita faça algo pela nação é pura ilusão. Há infelicidade pior?




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Diáspora porto-velhense


Diáspora porto-velhense


Professor Nazareno*

                Outro dia um ex-aluno meu pediu para que eu fizesse uma retrospectiva do ano de 2017 abordando os fatos mais marcantes que aconteceram em Porto Velho e em Rondônia. Disse-lhe que não precisava: bastava ele ver as retrospectivas de anos anteriores para perceber o óbvio e o ululante, pois a história se repete há décadas sem nenhuma novidade. É como se estivéssemos parados dentro de uma cápsula do tempo. Neste ano infelizmente nada aconteceu de novo que merecesse qualquer tipo de registro. “Os políticos de Rondônia roubaram menos e quase não apareceu escândalo na mídia”, disse ele. É verdade, mas a maneira de se fazer política por estas bandas continua como nas décadas de vinte ou trinta do século passado. Nada evoluiu. Meia dúzia de políticos iludindo, mentindo e tapeando a maioria dos tolos eleitores. E sendo reeleitos todo ano.
            A capital de Rondônia, claro que continua suja, imunda, podre, fedorenta, cheia de lixo, sem praças, sem recantos de lazer, sem arborização, quente, com muita lama e alagações durante o inverno e com poeira e fumaça nos meses de verão. O mau cheiro característico de uma cidade inóspita, inabitável e sem rede de esgotos é o nosso maior cartão postal. Bichos mortos no meio das ruas e muito mato é uma cena comum por aqui desde o século passado. Os poucos lugares que se dizem turísticos são obras eleitoreiras e escuras como a “ponte da morte” no rio Madeira e os viadutos tortos e íngremes. Aqui não pode haver retrospectiva por que a cidade não melhorou. Continua uma currutela fedida e amaldiçoada de onde muitos de seus moradores nativos assim como “os rondonienses de coração” fogem durante as festas de Natal e Ano Novo.
            Nestes últimos dias de 2017, como em outros anos, a cidade se esvazia. Quem pode “pica a mula” em busca de lugares mais limpos e organizados. Apenas os menos endinheirados são obrigados ao sofrimento. Será que o atual prefeito também “montará no porco” e cairá fora?  Os loucos, e lisos como eu, é que temos coragem de encarar um Natal e um Réveillon no meio da carniça, dos ratos, dos carapanãs e dos urubus. Aliás, dizem as más línguas que Hildon Chaves abandonará Porto Velho para se candidatar ao governo do Estado em 2018. O “prefeito viajante”, se eleito de novo, implantará em Rondônia jornada de trabalho de seis meses anuais. Só neste ano ele já visitou a Disney, Paris, Dubai, China, Macau... Interessante seria que ele e outras autoridades passassem as festas natalinas nesta “podre pocilga infecta”. Sem estresse: o “BOI” nos administra.
            Sei que é muito triste perder as iluminadas festas de Gramado e Canela na Serra Gaúcha. Curitiba, a limpa e civilizada capital do Paraná, está um deslumbre. As quentes e paradisíacas praias do Nordeste estão esperando os rondonienses como fazem todos os anos. Ficar aqui para quê? Não há como se divertir em uma cidade imunda onde bosta, ratos, lama e tapurus abundam para todos. Ver aquela ridícula e feia árvore de Natal de pano na EFMM é uma desgraça que eu não indico para ninguém. Perambular no meio de gente mal educada fedendo a cachaça barata não se deseja nem aos piores inimigos. Esperar o Interbairros depois da meia noite é pedir para ser assaltado. Até o escroto do Papai Noel se entrar num destes ônibus fedorentos será estuprado na hora. Mas Porto Velho merece isto, pois só elege administradores sem identidade com a cidade. Depois todo mundo volta para ganhar dinheiro e gastar no final do ano, mas bem longe daqui.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Grêmio, a vergonha do Brasil


Grêmio, a vergonha do Brasil


Professor Nazareno*

            
             Não se sabe ainda o porquê, mas o Grêmio de Porto Alegre decidiu o Mundial de Clubes/2017 com o Real Madrid. Time inexpressivo, fraquíssimo e sem jogar nada de futebol a equipe tricolor do Rio Grande do Sul protagonizou mais uma vergonha para o decadente futebol nacional. Beneficiado injustamente num esquisito campeonato onde já entra nas semifinais sem disputar uma única partida, o time brasileiro derrotou “a duras penas” pelo escore mínimo um tal de Pachuca do México e com isso sonhou que poderia ganhar um campeonato mundial jogando contra o poderoso Real Madrid. Mas o que se viu em campo foi um jogo de apenas um time: o Real. Com quase 70 por cento de posse de bola os espanhóis deram uma lição aos gaúchos e aos outros brasileiros de como se joga o bom futebol. Perder por apenas um gol foi uma vitória para o Grêmio.
            A equipe de Madri é muito melhor do que qualquer seleção nacional de futebol que se monte. É na atualidade um dos melhores times de futebol do mundo ao lado de outras grandes esquipes da Europa como o Barcelona, o PSG, Manchester City, Inter de Milão, Bayern de Munique, etc. etc. Do goleiro, o costa-riquenho Navas até os jogadores reservas, todos pertencem a suas seleções nacionais e se esmeram em campo. Já o Grêmio não tem um só atleta defendendo uma seleção nacional. Não se entende como um time dessa estatura ainda tenha torcedores. Torcer pelo Grêmio é uma desgraça. Assistir ao jogo foi algo muito enfadonho e monótono, pois os gaúchos covardemente se defendiam e apenas olhavam os excelentes atletas merengues jogar. Basta ver as estatísticas de chutes a gol durante a partida. Um massacre apesar do 1 X 0.
            Eu certamente jamais torceria pelo time de Porto Alegre. E muito menos vou estar “com o Grêmio onde o Grêmio estiver”, como diz o seu hino. Time que tem um passado racista nem deveria existir: até o ano de 1952, por exemplo, 64 anos após a abolição dos escravos, o Grêmio não permitia atletas de cor em seu elenco. Talvez só os brancos da raça ariana pudessem jogar naquele clube mais do que elitizado da capital gaúcha. Se no passado recente os gremistas foram a vergonha do Brasil, hoje as coisas não mudaram muito. Pelo menos no futebol que apresentaram. Terminada a partida vários jogadores gremistas foram pedir autógrafos aos adversários e era visível o espanto no rosto dos brasileiros ao verem Cristiano Ronaldo, Benzema, Kroos e mesmo Bale ou Sérgio Ramos. Os brasileiros deveriam ter se ajoelhado diante de seus ídolos.
            O futebol do Brasil caminha para o precipício já faz certo tempo. Esta semana, o presidente da CBF foi afastado pela FIFA por 90 dias. Marco Polo Del Nero foi banido do futebol pelo Comitê de Ética da entidade maior deste esporte após escândalo de corrupção. Se deixar o Brasil será preso e extraditado para os Estados Unidos onde a Justiça daquele país certamente lhe dará uma punição adequada. Muito antes dos 7 X 1, o nosso maior esporte já declinava sem perspectivas de melhoras. Os torcedores do Flamengo do Rio de Janeiro protagonizaram um vexame perante o mundo ao promover recentemente cenas de barbárie e selvageria durante a decisão da Copa Sul-Americana. Deveria ser punido de forma exemplar pela Conmebol. Torcedores da Ponte Preta de Campinas invadiram o campo de jogo quando seu time foi rebaixado para a série B do campeonato brasileiro. Não vejo a hora de ver o vexame do Brasil na Copa da Rússia.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Flamengo é o Brasil


O Flamengo é o Brasil


Professor Nazareno*

            
        Não gosto de futebol. Porém uma vez ou outra admito que perco meu precioso tempo para ver alguns jogos na televisão. Praticamente de férias, tive tempo de observar a sensacional perda do título do Flamengo para o Independiente da Argentina pela Copa Sul-Americana. O empate em um gol em pleno Maracanã me fez vibrar muito com a desilusão e o choro dos arrogantes e tolos flamenguistas. Não me levem a mal nem acreditem que sou masoquista: é que não tenho um time de coração e sempre torço pelo bom futebol. E como os brasileiros há muito tempo não têm mostrado um futebol de primeira, torço sempre pela melhor equipe. O Flamengo é um time insosso, fraco, sem futebol empolgante e sem nenhum prestígio internacional. Representa hoje o decadente futebol do Brasil, que levou de 7 X 1 da Alemanha na última Copa do Mundo.
            Torcer pelo Flamengo ou por qualquer outro time do Brasil na atualidade é torcer pelo péssimo futebol. E isso não é justo. Principalmente para com um time como o Independiente. A equipe do Rio de Janeiro foi um fracasso do começo ao fim dessa Copa Sul-Americana. Sempre jogou mal e geralmente só ganhava quando era vergonhosamente ajudado pela arbitragem. Pior: os seus torcedores fizeram um absurdo, mas que já se podia esperar dos brasileiros neste último jogo: vandalizaram os atletas e a delegação dos argentinos em pleno hotel. Pela covardia, o Flamengo merecia perder. Só empatou. Mas perdeu mesmo assim por causa do péssimo futebol apresentado nas duas partidas. Time covarde, medroso e sem iniciativa, foi dominado pelos argentinos e só não foi goleado dentro de sua própria casa por que os “hermanos” tiveram pena.
Além disso, algumas poucas vitórias do Flamengo este ano no campeonato brasileiro e também no carioca podem ter sido turbinadas pelas atuações do seu centroavante, o peruano Paolo Guerrero, suspenso por um ano pela FIFA depois de ser flagrado recentemente em exame antidoping. Guerrero seria usuário de cocaína. Não entendo como um time que causa tanta decepção tem um número tão grande de torcedores. Do seu ex-goleiro Muralha o chamado “mão de alface” até os reservas não há, por exemplo, um único jogador no elenco rubro-negro digno de participar de uma Copa do Mundo. A perda do título da Copa Sul-Americana pelo Flamengo pode ser um prenúncio do que poderá acontecer com o nosso decadente futebol: o Grêmio pode ser surrado pelo Real Madrid e o Brasil pode sofrer outro vexame na próxima Copa.
O atual futebol no Brasil perdeu o prestígio que antes tinha. O glamour dentro das quatro linhas hoje está na Europa e nos seus grandes times e ricos campeonatos. Não há como comparar equipes de ponta como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Manchester City, Inter de Milão, Paris Saint-Germain com estas porcarias que jogam no Brasil. Perder títulos e ser goleado por outras seleções é só a terrível consequência da falta de organização e da roubalheira que tomou conta do “esporte das multidões” em nosso país. A alegria de ver o Flamengo perder um título dentro de casa só não é maior do que assistir no próximo ano à derrocada da seleção canarinho na Copa da Rússia. Em tudo o Brasil é decepção. A nossa política é um escândalo. O nosso governo, um caos. O Brasil é Flamengo não por que os brasileiros estavam torcendo por ele, mas por que o mesmo representa também o fracasso do país. Em todos os aspectos.





*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Papai Noel é rondoniense


Papai Noel é rondoniense


Professor Nazareno*


Sempre achei que o bom velhinho fosse um santo. Agora tive a certeza: ele não só é um santo como pode ser também um dos filhos de Deus. Pensava que ele era da Finlândia ou da Lapônia, mas me enganei: ele é de Rondônia mesmo. No mundo capitalista ocidental, o “Santa Claus” é mais conhecido do que o próprio Jesus Cristo. Impecável no seu longo traje vermelho e com sua barba branca, está presente em vários recantos e é amado por todos que o veem. Traz alegria, felicidade e bonança para os que nele acreditam. Em Porto Velho ele esbanja empatia e muito entusiasmo, apesar da lama, da catinga e da podridão da cidade. As criancinhas o amam sem limites. Da zona leste à zona sul desta capital aquela criatura divina é aplaudida e venerada por todos. Até os “rondonienses de coração” não seguram as lágrimas quando estão diante dele.
O Natal geralmente celebra o nascimento de Cristo, mas todos querem mesmo é ter contato com o velhinho sorridente de barbas brancas. Deve ser por que Jesus Cristo, que raramente ri e tem a barba preta, não dá presentes para ninguém. Mas como um bom rondoniense, Noel presenteia os desconhecidos com tudo o que pode. Deu ao povo de Porto Velho, por exemplo, um lindo Espaço Alternativo para todos fazerem alegremente suas caminhadas. Deu também vários viadutos, só que todos íngremes e escuros feito breu apesar de esta localidade ser a “cidade das hidrelétricas”. Parece que economizaram nas lâmpadas para iluminar melhor o resto da cidade, que é muito escura também. O Pai Natal não tem filhos. Dizem que é por que o saco dele é de brinquedo. Deve ser por isso que ela adora divertir os filhos dos outros. Noel “ama” as crianças!
Quando o Papai Noel adoece, se trata no Hospital João Paulo Segundo mesmo. O maior “campo de extermínio de pobres” da região Norte é a cara do velhinho do saco grande. E suas patologias não vão muito além de virose, diarreia ou curuba, doenças típicas dos rondonienses mais pobres. Econômico, o bom velhinho anda sempre de busão e até juram que outro dia ele foi assaltado dentro de um dos sujos e imundos ônibus que fazem a linha para o campus. Aliás, fala-se que seu maior sonho é cursar Medicina numa universidade que nem hospital universitário tenha. Porém o Noel está ultimamente meio chateado: alguns políticos de Rondônia andam lhe fazendo muita concorrência. De fato, como presentear o povo se vereadores e deputados já o fazem? Se o velhinho fosse candidato aqui se elegeria para qualquer cargo a que concorresse.
 O nosso Papai Noel é realmente um amor de pessoa. Como um porco imundo, sempre viveu, mora e chafurda na lama e de nada reclama. Ama de coração sua feia e suja cidade. Nunca falou mal da poeira, da fumaça sufocante ou das alagações. É roubado e enganado sempre pelos políticos e nunca blasfemou contra seus algozes. Se tivesse filhos colocaria todos para estudar em escola pública, claro. Ele já pensou inclusive em consertar o porto do Cai n’Água e até em duplicar a BR 364, mas desistiu. Fala que vai construir uma nova rodoviária em Porto Velho e finalmente vai internacionalizar o aeroporto da cidade. Dizem que Noel dará de presente aos porto-velhenses uma rede completa de esgotos e de água tratada, raridades por aqui. Mas o melhor presente mesmo será para os funcionários públicos: a partir de agora, basta trabalhar seis meses que terão direito às férias e até viajar para o exterior. Viva o Noel!





*É professor em Porto Velho.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Hitler para presidente!


Hitler para presidente!


Professor Nazareno*

            
         O sucesso do Nazismo e de Adolf Hitler na Alemanha se deu por conta do desespero do povo alemão, insatisfeito com os termos do Tratado de Versalhes, logo após a Primeira Guerra Mundial. Menos de uma década depois do triste armistício a Alemanha, a outrora potência econômica da Europa e do mundo, era humilhada pelos países vencedores daquele conflito e o seu povo explorado ao extremo. Sem nenhuma perspectiva de futuro, os germânicos só pensavam em vingança e para isso, chega ao poder máximo do país um sujeito que nem alemão era: diante do perigosíssimo vácuo na política, o austríaco Adolf Hitler convence os germânicos de sua “superioridade” sobre os demais povos da terra e assim abre caminho para os arianos se vingarem da “maior injustiça já traçada contra seu povo”. Outra guerra agora é só questão de tempo.
                Guardadas as devidas proporções, o Brasil vive hoje na política um drama muito parecido com o da Alemanha das décadas de 20 e 30 do século passado. A política e os políticos há tempos perderam o seu valor entre nós. A roubalheira, a corrupção, os desmandos, a impunidade e a desfaçatez de nossos mandatários liquidaram a pouca credibilidade que ainda se tinha. O atual presidente do país, o golpista Michel Temer tem menos de 5% de apoio popular. Vários de seus ministros estão presos e muitos deles estão sendo investigados por falcatruas. Na maioria dos Estados e nos municípios o drama é o mesmo. Há muitos políticos respondendo processos e as operações da Polícia Federal não param. O que se ouve frequentemente é que boa parte do eleitorado vai anular o voto nas próximas eleições ou simplesmente se abster de votar em 2018.
            O Brasil vive hoje um perigoso vazio de poder onde a maioria da população não tem a menor confiança nos seus governantes. “Todos os políticos são ladrões”, é a cantilena nacional. Neste ambiente, aduba-se o terreno e cria-se o clima favorável para o aparecimento de um salvador da pátria. E muitos já estão com o “pé na estrada” para “salvar o país” dos aproveitadores. Basta verificar o que dizem as pesquisas eleitorais faltando pouco menos de um ano até as próximas eleições presidenciais. Levando-se em conta o perfil cultural do eleitorado brasileiro, podem-se esperar mudanças desastrosas no cenário político. A antológica estupidez do brasileiro e a sua falta de conhecimento na política associadas a pouca ou nenhuma escolaridade do cidadão comum podem nos levar a um desastre pior do que o vivido na Alemanha entre as duas guerras mundiais.
            A burrice dos brasileiros é tão grande que se Adolf Hitler fosse candidato a presidente do país, correria o risco de ser eleito com ampla margem de votos. Hitler, Idi Amin de Uganda, Pol Pot do Camboja, Jean Bokassa da República Centro-Africana, Stalin ou qualquer outro sanguinário e genocida ditador levaria a maioria dos votos dos brasileiros, muitos deles incultos e despolitizados. Óbvio que nenhuma destas figuras se levantaria do túmulo para incomodar nossos cidadãos, porém muitos dos seus seguidores e admiradores já estão em campanha aberta e pior: correndo sério risco de nos governar pelos próximos anos. Há políticos honestos, sim. Há muitos brasileiros que podiam governar o país de maneira séria, mas nenhum quer se associar a esta bandalheira que aí está. Se as coisas não mudarem, corre-se o risco de estarmos chocando o ovo da serpente. “Esse Hitler é paulista, mineiro, do PT, PP ou do PMDB”?




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Porto Velho de novo sem Natal


Porto Velho de novo sem Natal


Professor Nazareno*


Porto Velho é mesmo uma cidade amaldiçoada cujo protetor maior é o Satanás. Mais outro ano vamos ficar sem decoração natalina. Pelo menos é o que diz o atual prefeito Dr. Hildon Chaves. O mesmo que fez (falsas) juras de amor quando queria se eleger em 2016. “Porto Velho, eu vou cuidar de você. Curar tuas feridas, adornar teus canteiros, perfumar teus ares”. Os filhos da velha e abandonada rapariga caíram direitinho nas lorotas e enganações do candidato que dizia nem ser político. A desculpa dessa vez foi a eterna falta de recursos. Raríssimas vezes na história, essa currutela fedida teve iluminação e decoração natalinas que combinassem de fato com uma cidade que se orgulha de ser uma capital de Estado. Ji-Paraná, Cacoal, Vilhena e muitas outras cidades bem menores e mais pobres no Estado já mostram suas iluminadas avenidas.
Lâmpadas coloridas, renas, Papai Noel e enfeites de um modo geral não enchem a barriga de ninguém nem trazem dinheiro ou riqueza para os munícipes, mas tudo isso melhora a autoestima dos moradores de qualquer cidade. Paris, para onde nosso prefeito foi depois de trabalhar apenas seis meses, está um deslumbre. A Avenida Champs Élysées encanta o mundo. A noite na “Cidade Luz” vira dia nesta época. Gramado e Canela na Serra Gaúcha atraem milhares de turistas todos os anos para ver a iluminação e a beleza de suas iluminadas praças, avenidas e ruas. Curitiba, a bela e limpa capital do Paraná, está um deslumbre nestas festas de final de ano. Palmas no Tocantins dá gosto de se ver. E Porto Velho? O que tem para mostrar neste Natal e em tantos outros por que já passamos em meio ao lixo, à escuridão, à sujeira, à fedentina e à podridão?
Grande parte da população desta capital, e dos eleitores de Hildon Chaves, é composta de pessoas simplórias, sem leitura de mundo, sem informações e que por falta de dinheiro não viaja para nenhum outro lugar do mundo. Todos nós somos obrigados pelas circunstâncias a ter que ficar aqui e apreciar o “nada” que a cidade e seus administradores nos oferecem. Chuva torrencial, lama, carapanã, lixo boiando, violência, merda, escuridão é o que vemos todos os anos durante o Natal e o Réveillon de Porto Velho. Pior: a prefeitura ainda tenta cinicamente iludir a população dizendo que priorizou a iluminação pública em vez da natalina, que é passageira e provisória. Mentira deslavada, pois mesmo no centro há ainda muitas ruas escuras feito breu. Talvez seja para combinar com a ponte do rio Madeira. Não merecíamos coisa melhor?
O prefeito, neste aspecto, está muito pior do que Roberto Sobrinho do PT. Perde até para o “lento” Mauro Nazif. Quem não se lembra dos enfeites perto da rodoviária na Avenida Jorge Teixeira todos os anos? E apesar do horroroso “Natal dos pneus” de 2014, Nazif caprichou no ano seguinte com uma das melhores iluminações de Natal de toda a região Norte. Várias ruas e avenidas foram preparadas em grande estilo naquele ano. “Dr. Hildon, o povo daqui gosta de ver sua cidade bem iluminada e toda decorada nas festas de fim de ano! Por que o senhor e sua equipe não se prepararam para isso? Ou o senhor ainda está esperando pela chuva de bosta para começar a embelezar de fato a cidade que prometeu limpar, adornar e amar? Não é assim que se curam feridas. Melhore a nossa autoestima”. Como não viajarei, vou encher o rabo de cachaça ruim no Natal. E tomara que na noite de 24/12 chova muito, falte energia e não tenhamos festas.




*É Professor em Porto Velho.