segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Deixem as escolas em paz!


Deixem as escolas em paz!


Professor Nazareno*

            
           De um modo geral nem as escolas nem a educação no Brasil jamais tiveram qualquer importância para a sociedade ou sequer seus objetivos foram discutidos em profundidade. As autoridades e a elite dominante desde os tempos da Colônia sempre sabotaram o saber para as classes menos privilegiadas. Como consequência deste absurdo, temos um dos piores sistemas de educação do mundo. Os políticos brasileiros nunca se preocuparam com a educação do povo. Porém, desde o golpe parlamentar dado em 2016 que se tem observado uma guinada à direita em nossa sociedade. Os direitistas, reacionários, religiosos e conservadores começaram a se interessar pela escola, que escolheram como alvo para impor sua maneira de pensar e agir. Desde então, essas escolas não têm tido sossego. Essa gente está à espreita e querendo “alguma coisa”.
            Em Ariquemes, o prefeito local investiu contra as escolas do município. Em conjunto com meia dúzia de pais, evangélicos em sua maioria, decidiu proibir a distribuição aos alunos de livros didáticos que falavam sobre os novos de tipos de família. Inconformado, ameaçou rasgar todas as páginas que tratavam do assunto. Depois do escândalo nacional, da vergonha que Rondônia passou, da ameaça à Constituição e de decisões dos Ministérios Públicos, recuou por enquanto. Em outro flanco, alguns deputados estaduais querem impor a militarização de vários estabelecimentos de ensino. Escolas militares devem existir, mas escolas militarizadas beiram a estupidez. A ideologia militar está ultrapassada. Militares devem se preocupar com segurança e não com educação, já que nenhum professor quer “educar” a PM.
            Recentemente alguns políticos espertalhões tentaram tirar proveito do sucesso do colégio João Bento da Costa de Porto Velho. Propuseram à escola uma “moção de aplauso” e outras tolices somente para passar a impressão de que estão preocupados com a educação pública. Só conversa fiada mesmo, pois se estivessem, procurariam saber o porquê de outras escolas de Rondônia não terem o mesmo desempenho do JBC. Sou professor no João Bento há quase vinte anos e reconheço que ainda falta muita coisa para que ela seja uma escola de qualidade. Receber prêmios idiotas e sem sentido pode nos trazer o comodismo, por isso recusei todos. Alguns vereadores de Porto Velho, no entanto, continuaram a sua investida contra as escolas: dessa vez foi o desejo ditatorial de se proibir pura e simplesmente a ideologia de gênero dentro das mesmas.
A escola, qualquer escola, deveria ser um território de ideias livres. A dialética deve permanecer dentro delas e tudo deve ser ensinado e discutido. Todas as ideologias, todas as religiões, inclusive a não religião, já que vivemos em um Estado laico, todas as correntes políticas e ideológicas, todos os saberes. Em casa, a família deve dar o complemento e ensinar boas maneiras e civilidade. A religião não pode interferir na aprendizagem de ninguém. Esses cidadãos deveriam lutar para implantar escolas de tempo integral em Rondônia e em todo o Brasil. Deveriam buscar mais recursos para melhorar o nosso fraco ensino. Deveriam fazer como faz a maior parte dos políticos no mundo civilizado. Por isso, religiosos, políticos e militares, deixem as nossas escolas em paz! Se vocês as usassem para melhorá-las já seria um grande avanço. Parem de usá-las apenas para fins de promoção pessoal e para impor suas ideologias e suas religiões.





*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Professores do João Bento “acertam” tema da redação do ENEM/2017


Professores do João Bento “acertam” tema da redação do ENEM/2017


De um modo geral, o tema da redação do ENEM/2017 foi alvo de muitas reclamações dos alunos pelo Brasil afora. "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil" foi a proposta que desagradou a muitos estudantes. Para eles, essa proposta de tema foi confusa e também surpreendente. Mas este não foi o sentimento dos alunos da Escola Professor João Bento da Costa de Porto Velho. Há menos de duas semanas foi trabalhada na escola uma redação no IV Simulado cujo tema “A questão da inclusão das pessoas com deficiência” abordava com detalhes essa delicadíssima questão social. Os dois temas, claro, não são totalmente idênticos, porém as abordagens estruturais dos dois textos são as mesmas. Enquanto o tema do João Bento foi mais abrangente, o do ENEM foi mais específico. “O aluno do João Bento que fez a redação no IV Simulado da escola não teve nenhuma dificuldade para se dar muito bem na Redação do ENEM”, avaliaram alguns professores de Linguagens da escola.
A professora Heloísa Helena Ramos de Língua Portuguesa e Interpretação de Textos dos terceiros anos da tarde foi quem escolheu o tema para o simulado da escola. Junto com outros professores já aplicaram e corrigiram somente neste ano de 2017 mais de 12 mil redações dos alunos. Cada aluno fez uma média de 15 textos durante o ano letivo. “Na escola João Bento temos uma maravilhosa equipe de Linguagens que sempre visa ao bem de todos os alunos que vão para o ENEM”, resumiu um dos mestres da equipe sem esconder a alegria. Além da professora Heloísa Helena e do professor Nazareno, que ministra Redação, a equipe de Linguagens da Escola João Bento da Costa é formada pelos professores Diniz de Albuquerque de Literatura, Allan Ferreira de Gramática e Joana Camilo também de Literatura. Os professores de Linguagens e Redação dos primeiros, dos segundos anos e do EJA também colaboraram para o sucesso da escola como um todo. No primeiro dia de provas do ENEM/2017, um domingo, como acontece todos os anos, a Direção da escola, todos os professores e funcionários vestiram literalmente a camisa do João Bento e fizeram um “Pit Stop” para recepcionar os alunos em quase todos os locais de provas.
Muitos alunos da escola estavam eufóricos após a prova. “Estudar numa escola como o João Bento da Costa faz toda a diferença” disse a aluna Steffane Santos. Nas redes sociais não se falava de outra coisa entre os eufóricos e alegres alunos. Já a aluna Iza Ribeiro disse que quando viu o tema começou a rir de alegria. “Vale a pena estudar numa escola como o João Bento”, disse. O diretor, professor Chiquinho e a vice-diretora Professora Lady estavam muito eufóricos também. “Aqui na escola fazemos tudo para contemplar os nossos alunos, que são o objetivo final do nosso trabalho”, disse o diretor. “Estamos nos preparando para o próximo domingo, pois a guerra ainda não terminou. Teremos mais outra batalha”, finalizou a vice-diretora. Este ano o João Bento da Costa funcionou com 20 turmas de terceirão além dos primeiros, segundos anos e todo o pessoal do EJA. Um total de mais de 800 alunos fizeram o ENEM em 2017. “Aqui o trabalho não pode parar nunca”, disse o diretor Chiquinho. E continuou: “já estamos nos preparando para 2018, pois escola pública de excelência existe sim em Rondônia”, finalizou.

domingo, 5 de novembro de 2017

Direitos humanos para quê?


Direitos humanos para quê?


Professor Nazareno*

            
               Muita gente sabe e aceita que no Brasil lugar de mulher é na cozinha, arrumando a casa, fazendo a comida, cuidando do marido e dos filhos. Sempre foi assim e não deveria mudar nunca. Desde o início dos tempos sempre coube ao macho as suas árduas tarefas e à mulher também as suas, mas devidamente especificadas. O homem, o varão, o provedor da família é aquele que sustenta todos com o seu duro trabalho e o seu suor diário. É ele que dá o suprimento, o sustento e a continuidade para a existência da família, que sem ele praticamente não existiria. Porém ultimamente, tem-se observado uma esquisita vontade de mudar estes preceitos já aceitos e delineados pelos livros sagrados e até pela vontade divina. A mulher tem que reconhecer o seu lugar na sociedade e ficar satisfeita com o muito que já conquistou em termos de mudanças.
            Como morre de trabalhar para dar o sustento a todos, o homem pode sim, bater e espancar a mulher quando bem lhe convier. Afinal, a lei e a ordem devem ser mantidas dentro de um lar. Caso contrário, tudo vira bagunça. Por isso, a Lei Maria da Penha pode ser um grande equívoco da nossa sociedade. E estão querendo mudar tudo isso. É querer jogar na lama o valoroso trabalho dos homens. Coisas estranhas andam acontecendo em nossa sociedade ultimamente. O tema da redação do ENEM/2017, por exemplo. Inclusão de surdos e mudos? Para quê? Esses seres deficientes não produzem, numa realidade capitalista, tanto quanto os outros cidadãos “normais”. Então se forem contratados, devem ganhar sempre menos. Todos os portadores de qualquer deficiência, física ou mental, não deveriam entrar “em pé de igualdade” no mercado de trabalho.
No sistema prisional do Brasil o que se tem visto agora é uma verdadeira aberração. Dizem que estão querendo fazer justiça para os presos. Ora, todos os detentos deveriam ser eliminados. A pena de morte deveria existir há tempos em nosso país. Assim, não teríamos mais nenhum presidiário dando prejuízos ao Estado. Deviam-se recriar os DOI-CODI dos tempos da ditadura militar só para torturar os engraçadinhos que insistissem em não seguir a lei. Em Porto Velho, a sede seria na Avenida Farquar. Os direitos humanos foram criados só para privilegiar bandidos e malfeitores. A nossa sociedade seria bem melhor se não existisse mais essa tolice. O Brasil deveria não mais pertencer a essa convenção absurda que inventou esta porcaria. Aqui o bom seria assim: quem errou que pagasse pelos seus malfeitos. Olho por olho, dente por dente e pronto.
            O controle da imprensa deveria existir entre nós, pois a família precisa de proteção. O Estado não poderia jamais ser laico e quem ousasse seguir uma religião diferente do que prega a Bíblia Sagrada deveria ser condenado à morte ou mesmo à prisão até aprender a respeitar Deus. A cura gay seria incentivada em todos os casos de perversão. A maioridade penal seria aos 16 anos para acabar a violência. Ateus, negros e pobres deveriam reconhecer seu lugar na sociedade para evitar mais problemas. Os estupradores seriam também estuprados na prisão e a polícia espancaria até a exaustão todos os meliantes presos em flagrante. Todas as escolas seriam militarizadas e a ideologia “escola sem partido” adotada nelas. Se alguém acha que tudo isso são bobagens, creia que hoje o STF já permite que um aluno que pensar assim tire nota máxima na redação do ENEM. É o “progresso” chegando ao Brasil. Aleluia, irmãos!




*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

“Aluga-se pneus para vistoria”


“Aluga-se pneus para vistoria


Professor Nazareno*

            A placa do título, com um incrível erro de gramática normativa, pode ser vista sem nenhum problema em frente a qualquer prédio do DETRAN espalhado pelo Brasil. Um absurdo levando-se em conta que o problema da corrupção e do jeitinho é uma praga que já devia ter sido extinta há tempos do nosso cotidiano. Aqui, infelizmente, a roubalheira e a ladroagem não podem ser apenas creditadas aos políticos e às autoridades. O cidadão comum pratica a desonestidade de maneira quase normal no seu dia a dia. Sermos roubados pelas “balanças” velhas e carcomidas das feiras livres, dos açougues das periferias e de muitos supermercados é algo rotineiro num país onde quase todos procuram levar vantagem em tudo. O roubo, punido exemplarmente nas sociedades civilizadas, é prática comum que já faz parte da nossa triste e infeliz cultura.
            Chamar os políticos de ladrões, corruptos e desonestos virou um esporte nacional. Porém muitos não levam em consideração o fato de que todos os nossos representantes são escolhidos pelo povo e saem, evidentemente, do seio da própria sociedade. No Brasil os políticos não são honestos em sua maioria por que representam pessoas também desonestas. “Ladrões grandes que representam ladrões pequenos”. Raríssimos são os eleitos que trabalham duro em benefício de quem o elegeu. Por isso que não há sociedade honesta com governo corrupto ou vice-versa. Basta ver as pesquisas de opinião sobre as próximas eleições. Os mesmos ladrões do povo serão eleitos e reeleitos tranquilamente. O Amazonas já deu o sinal de que nada vai mudar. Um ou outro malfeitor pode não ser eleito, mas a estrutura maior será preservada.
            Lamentavelmente continuaremos ainda por muito tempo nas mãos dessa gente que finge governar todos enquanto em surdina só olham para seus próprios bolsos. Seremos vítimas de nossas próprias escolhas já definidas antes do pleito. Nenhum partido político cortará na própria carne. Muda-se apenas o discurso e os mesmos serão colocados para a aprovação popular. O atual presidente da República, o golpista Michel Temer sequer será investigado. Aécio Neves, com fartas provas de atos ilícitos, foi absolvido tranquilamente no STF. Lula não foi preso e nem vai. E o pior: o miserável “sapo barbudo” ainda será reeleito presidente da República apesar de tudo. Não teve Mensalão, não teve Petrolão, não teve Pasadena, não teve Palocci. Nada o atingiu. Nem a ele nem a outros caciques. Quanto mais corrupto e desonesto, mais amado pelo povão.
            Abastecemos nossos carros em postos de gasolina com contagem de combustível adulterada. Compramos produtos industrializados maquiados. Consumimos frutas e verduras envenenadas com agrotóxicos. Caminhamos em ruas sujas e emporcalhadas sem saneamento básico. Somos enganados e roubados todos os dias e por isso achamos também que podemos enganar e roubar os outros. Assim, compramos dispositivos que mostram radares eletrônicos. Aqui, é quase todo mundo tentando enganar o próximo. Essa situação dificilmente mudará enquanto não tivermos a consciência do que é uma verdadeira nação justa onde a maioria será beneficiada. Em Rondônia, crianças queimadas servem como isca para se arrecadar dinheiro para terceiros. O Poder Público está repleto de comissionados em vez de concursados. Breve, o ENEM/2017 será realizado. Não vazou a prova ainda? Triste, mas o nosso maior erro não é só gramática.




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 28 de outubro de 2017

Confissões de um bandido

Confissões de um bandido


Professor Nazareno*

            
         Miguel das Beiradas sempre foi um bandido de carteirinha. Filho de uma família de classe média e muito ambicioso nunca escondeu seu desejo de ficar rico nem que fosse à custa dos outros. Hoje, administra um cabaré da periferia que tem muitas putas e a fama de sempre atender mal aos seus clientes. O dito puteiro sempre foi a salvação moral das famílias da redondeza e por isso conta com a permissão de todos para funcionar. Miguel não deveria ser o administrador daquele inferninho, mas através de suas artimanhas conseguiu chegar facilmente à liderança daquela Casa da Mãe Joana. É odiado por quase todos que vivem ali. Tem menos de três por cento de popularidade, mas insiste em ficar no comando daquele antro de perversão. Miguel e seus comparsas sempre acreditaram ser os salvadores do bordel, por isso não vão sair tão fácil dali.
            Outro dia, muito irritado com algumas críticas, o bandido desabafou: “as senhoras da alta sociedade, alguns políticos, a mídia, os empresários, os reacionários em geral, a Igreja e muitas pessoas de bem bateram panelas para que eu assumisse o comando dessa zona e agora muitos começam a me fazer críticas”. E continuou: “a verdade é que este prostíbulo nunca teve organização, nunca teve justiça social, nunca teve preocupação com os mais necessitados e toda a riqueza que produziu sempre foi parar nas contas dos mais ricos, dos mais ladrões e dos corruptos, por que querem que eu faça o milagre de consertar as coisas em tão pouco tempo”? Questionou com certa razão. Ele ficará à frente do lupanar de quinta categoria mesmo que funcionários e clientes não aceitem. Não há, por enquanto, ninguém hábil para comandar aquele lugar.
            “Esse meretrício não terá jeito nunca. As quengas daqui são passivas demais, muitas vezes elas trabalham de graça e ainda têm que pagar pelos preservativos”, falou o escroque político com certo conhecimento. Realmente: no harém nada funciona. Ninguém contesta nada. Todo mundo é roubado, vilipendiado, humilhado e todos ficam à espera de um salvador da pátria que nunca chega. O mundo inteiro olha para o rendez-vous com ar de pouca credibilidade. “Eu vou mudar as leis deste putanato para colocar as coisas em ordem”, costuma bradar na mídia o impopular mandatário. “Darei incentivo ao trabalho escravo, cortarei empregos, venderei a preço de banana as riquezas que temos, diminuirei o salário de todos e criarei privilégios somente para os meus amigos”, costuma se orgulhar, certo de que nada vai lhe acontecer na Justiça.
            E continuou: “todo mundo sabe que neste covil nunca houve justiça social ou qualquer outra coisa que beneficiasse os mais pobres e carentes, por que só agora me cobram essas sandices?”, questionou enfaticamente. Por se tratar de um inexpressivo conventilho de mundanas tudo ali funciona “a meia boca”. Os três poderes estão totalmente desmoralizados, os políticos desacreditados, em algumas partes o crime organizado manda no Poder Público, a baderna e o caos ameaçam tomar conta de tudo, o descrédito é geral, mas ainda assim não há a menor possibilidade de convulsão social. Nesta casa das tias, de acordo com a lei, só três coisas não se podem fazer: dirigir embriagado, se envolver sexualmente com menores de 18 anos e atrasar pensão judicial. O resto, em tese, é tudo permitido: roubar o Erário, desviar verbas da Educação, mentir para ser eleito e enriquecer ilicitamente. Em que outro bacanal ou motel se vê isso?





*É Professor em Porto Velho.

domingo, 22 de outubro de 2017

Progresso para trás


Progresso para trás


Professor Nazareno*

            
          Depois do golpe parlamentar dado em 2016 na ex-presidente Dilma Rousseff e no PT, o Brasil incrivelmente começou uma estranha caminhada para trás em todos os setores. Os batedores de panelas, que era uma forma de se protestar contra os desmandos dos políticos, simplesmente deixaram de existir num momento em que as falcatruas e os acordos espúrios continuaram com força. Temer se livrou da primeira denúncia, Aécio Neves, depois de julgado no STF, foi anistiado pelos senadores, a exploração do trabalho escravo ameaça voltar ao país e os paneleiros, conformados, se calaram. Será que bateram panelas somente para o Brasil regredir? Mais uma vez Temer dá sinais de que vai escapar da segunda denúncia e enquanto for presidente não será investigado. O bordão “fora, Dilma!” foi o único responsável pelo “fiquem, corruptos!”.
            Uma onda conservadora, retrógrada e reacionária parece querer tomar conta do país inteiro. Capitaneada em sua maioria por líderes religiosos e “defensores da família” essa atual onda fascista invade áreas onde “há pouco tempo e há muito custo” se conseguiram vitórias esperançosas. Se mais de 62 por cento dos eleitores hoje desejam a volta da ditadura, significa que “tempos escuros” podem estar perigosamente se aproximando da sociedade brasileira. Nas escolas, nos teatros, na mídia, na política, na música e também no nosso cotidiano, os “arautos das boas novas” ameaçam sem arrodeio com a volta da censura e do obscurantismo. Querem proibir peças teatrais e livros didáticos. Exposições sofrem restrições. Em vez de progredir, a sociedade regride e parece querer voltar à Idade Média e reeditar os tristes tribunais da Santa Inquisição.
            O anacronismo político infelizmente também se verifica em muitos fatos onde antes havia mais progresso e mais debates de ideias. O dogmatismo estéril está tomando o lugar da dialética. A cada dia que passa, as coisas ficam muito mais caducas. Toda sociedade evolui de forma natural, mas no Brasil dos últimos tempos tudo parece voltar estranhamente no tempo. Hoje, por exemplo, está muito mais difícil viajar de avião do que há alguns anos. Passagens bem mais caras e muitas paradas até o destino final é o que se tem observado. Piorou e muito. Em Porto Velho, no porto do Cai N’água, há pouco tempo tínhamos um lindo terminal rampeado, moderno e de fácil embarque de passageiros. Hoje temos no barranco escorregadio e íngreme uma ridícula escada de madeira. Passou o tempo e aqui tudo só piorou. Ideias senis trazem também o atraso.
            Outro sintoma de subdesenvolvimento e progresso enviesado: com o horário de verão, até a TV aberta em Rondônia transmite o Jornal Nacional da Rede Globo com uma hora de atraso. Ou seja, como há trinta ou quarenta anos as notícias ainda chegam atrasadas ao nosso Estado. Pouco antes, era tudo ao vivo. Regredimos de novo. Com internet, assiste-se às notícias no portal e dispensa-se o noticiário atrasado. Duvido que em Curitiba ou na Serra Gaúcha jornal seja transmitido com atraso. O Jornal Alto Madeira de Porto Velho fechou as portas depois de cem anos de existência. O lamento foi geral como se as notícias virtuais não existissem. Será que queriam a permanência de um jornal de papel? No mundo inteiro revistas e jornais impressos estão sendo substituídos pela rede. O pensamento reacionário e as ideias anacrônicas são comuns até nas postagens das redes sociais. Aqui, o que parece não mudar nunca é o jeito de votar.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 15 de outubro de 2017

Professor sem vergonha


Professor sem vergonha


Professor Nazareno*

            
          O Brasil tem um dos piores sistemas de educação do mundo. A prova disto está na pouca ou nenhuma leitura de mundo de grande parte de sua população. Burrice é mato num país com mais de 207 milhões de pessoas. Muitos alunos, após doze ou treze anos de escola, mal conseguem escrever o próprio nome. As escolas brasileiras de um modo geral formam só analfabetos funcionais. As públicas geralmente “ignorantizam”, sabotam e “desinstruem” seus alunos, e por isso formam uma massa de alienados e imbecis. Já nas escolas particulares, a situação é um pouco melhor: elas formam apenas os gerentes dessa ignorância e dessa imbecilidade. Ao professor, nesse contexto de fundo de poço, cabe pouca utilidade, embora ele seja cantado em prosa e loas pelos políticos e pelos mais “espertos”. Dia 15 de outubro é um dia somente para lamentos.
            Ser professor no Brasil não é tarefa fácil. Há mais de quarenta anos que milito neste batente e sei as agruras da sala de aula. Pouco reconhecido, sem condições de se especializar, mal remunerado e perseguido em todos os flancos, muitos desses “mestres sem mestrado” se equilibram como podem para ganhar a vida. Se um aluno é bom geralmente é por que é muito inteligente e dedicado. Se é ruim, fraco, desleixado e sem conhecimentos pergunta-se logo: quem é teu professor, criatura? No Brasil, onde a família já decretou falência há muito tempo, cabe aos professores a tarefa de ensinar e educar filhos alheios. E professor não é educador. Uma mãe, sozinha, educa por cem professores. Um aluno, sozinho, quando ler e busca conhecimentos vale por cem mães. Mas todos infelizmente “abrem mão” de suas obrigações e esperam só pelo professor.
            Alunos despreparados, mal educados, sem leitura de mundo, muitos deles oriundos de famílias falidas e sem a menor infraestrutura social são a matéria prima destes profissionais já estressados. Raros são aqueles alunos de boa procedência e que dão valor à profissão. Raríssimos são os que admitem querer seguir a espinhosa faina. Médicos, engenheiros, advogados, psicólogos, políticos e até policiais desdenham de seus mestres nesta data ridícula. Dia do professor? Deem refrigerantes e outros açúcares aos miseráveis para que morram mais cedo vítimas de diabetes. Se o mestre cai em desgraça, geralmente muitos de seus ex-alunos se lembram de alguma coisa errada que ele fez lá no passado e logo se candidatam para depor contra o infeliz. Triste, mas muitos pupilos sem caráter sentem uma espécie de prazer ao ver seu ex-mestre na pior.
            Mesmo assim, nenhum professor devia sentir vergonha de sua profissão. No mundo desenvolvido e civilizado, todos eles são valorizados e sua palavra é uma sentença respeitada. No Japão, ele vale mais do que o próprio imperador. Já no Brasil, são muitos os exemplos de professores agredidos por seus alunos. Em muitos casos já houve até morte desses profissionais, que não têm quase nenhum reconhecimento da sociedade. Nas greves, o miserável apanha sem dó da polícia. Os outros aparelhos repressores do Estado também não lhes poupam. Militarização absurda das escolas, implantação do projeto escola sem partido, censura pura e simples a livros escolhidos por eles, como aconteceu em Ariquemes, dentre muitas outras excrescências é o que se tem visto. Piedoso, criou o Conselho de Classe só para aprovar alunos ineptos. Não é fácil lidar com educação num país de povo imbecil e sem instrução. Mas não desisto!




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 8 de outubro de 2017

Catalães, paraíbas e beiradeiros


Catalães, paraíbas e beiradeiros


Professor Nazareno*

            
            O Reino da Espanha vive momentos tensos e turbulentos por causa do desejo de independência da Catalunha. Com aproximadamente oito milhões de habitantes e uma área territorial equivalente à de Alagoas, essa próspera comunidade autônoma alimenta há séculos a vontade de se separar em definitivo do governo central espanhol. Na contramão das ordens emanadas de Madri os separatistas catalães insistem na secessão. Reclamam que mandam muito mais recursos do que recebem. O PIB daquela rica e industrializada região espanhola é de quase um trilhão de reais. Além do mais, os catalães têm língua, História e cultura próprias e Barcelona, sua principal cidade, é reconhecida no mundo inteiro como um dos mais importantes destinos turísticos. Fato: a autodeterminação desse povo mediterrâneo parece ser apenas uma questão de tempo.
            Mas os espanhóis não vão ceder facilmente, pois a separação catalã pode abrir precedentes para outros povos que habitam o território do país: os bascos, que também lutam há anos pela sua pátria, não perderiam a oportunidade. Com uma língua própria, o Euskera, uma cultura e uma História que lhes identificam, além de um ódio secular talvez ainda mais forte aos castelhanos, esse povo não abriria mão de morar no seu próprio e amado País Basco, o Euskal Herria. Ainda há os galegos da Galícia, que falam uma língua muito próxima do nosso Português e nunca negaram o desejo de se separar do governo madrileno. Todos esses povos, além dos asturianos, têm uma forte identidade nacional que os separa dos castelhanos, que veem como estrangeiros. Talvez por isso, renasce no Brasil a onda separatista do Sul do país e também de São Paulo.
            Nenhuma separação daria certo no Brasil. Aqui, além da mesma língua, cultura e História, em todos os Estados a brasilidade é idêntica. Afora um sotaque ligeiramente diferente do outro, o povo do Brasil é um só miscigenado entre brancos, negros e índios. A violência, os péssimos serviços públicos, a indolência e os políticos ladrões são as mesmas pragas que nos perseguem há séculos. Claro que a região Sul do Brasil é mais civilizada e desenvolvida do que todas as demais. Óbvio que o PIB de São Paulo é infinitamente superior a qualquer outra unidade da Federação, mas isto não lhes autoriza a viver de forma independente. Já pensou se Rondônia e a Paraíba, por exemplo, quisessem se separar do restante do país? Não sobreviveríamos uma semana. Paraíbas e beiradeiros não são como bascos, galegos ou catalães. Morreríamos de fome logo, logo.
            É sabido que os Estados das regiões Sudeste e Sul do Brasil sustentam o restante do país. Norte, Nordeste e Centro-Oeste só dão prejuízos à Federação e vivem praticamente da exportação de mão-de-obra e dos seus recursos naturais. A preguiça verificada em muitos destes Estados do Brasil condenaria qualquer povo à fome e ao desespero. Porém, a pujança do Sul foi devido à escravidão e a de São Paulo, principalmente, ao suor de muitos nordestinos. Em Rondônia não há língua diferente, não há cultura própria, muito menos produção de riqueza suficiente para que se viva de forma independente. Na Paraíba é a mesma coisa. A única coisa que diferencia estes dois Estados do restante é o sotaque, muito feio por sinal. Muitos dos políticos de Rondônia e da Paraíba não são honestos. Empata com o Brasil. A violência e o descaso nos serviços públicos nos iguala com o Sul e com São Paulo. Secessão por aqui? Nunca.




*É Professor em Porto Velho.

domingo, 1 de outubro de 2017

Porto Velho: favela de 103 anos


Porto Velho: favela de 103 anos



Professor Nazareno*

           
     Porto Velho, a esquecida e abandonada favela, está aniversariando. Com todo o respeito às favelas, completamos 103 anos. “A velha e doente prostituta continua sendo estuprada e ainda tem que pagar pelo preservativo”. Sem nunca ter sabido ao certo a origem do seu esquisito nome, a cidade acumula neste século de infeliz existência uma série de características bastante peculiares no país e que para nada servem: tem a maior área territorial dentre as capitais brasileiras superando países como a Bélgica, Israel e Eslovênia. É a mais populosa cidade fronteiriça nacional com pouco mais de 500 mil habitantes e é a única capital que faz fronteira com o exterior. Maior município do oeste brasileiro tem o título de cidade onde mais se morre por raios. Como se vê, até a fúria da natureza manda suas descargas para cima do lugar como se aqui fosse amaldiçoado.
            E a cidade é amaldiçoada mesmo, pois em todo este tempo de desventuras, nunca teve um único filho a lhe administrar. Parece uma praga, pois todos os seus prefeitos foram importados e que nunca demonstraram amor ao torrão alheio e distante. Até o atual prefeito, que é de Pernambuco, trabalhou apenas seis meses, tirou férias e foi visitar Disney e Paris em vez de ir a Calama, Abunã, Bandeirantes ou outros distritos mais necessitados. A coisa está tão deprimente por aqui que o porto no rio Madeira, que dá nome à capital, é hoje um barranco escorregadio, escuro, sujo e íngreme como que sugerindo uma infeliz semelhança com a maltratada urbe. Enfim, um porto muito velho mesmo. Triste ironia: hoje os mais ardorosos defensores daqui moram fora e de lá mandam “loas” dizendo hipocritamente que amam o que já há tempos abandonaram.
            Com menos de 3% de rede de esgotos e só com 31% de água tratada, no verão a fumaça das criminosas queimadas dá o tom todo ano ao visual urbano. Desflorestada e sem nenhum planejamento, a capital mais suja do Brasil é cortada por antigos igarapés que já viraram esgotos pútridos escorrendo a céu aberto. Sem porto, sem rodoviária decente e com um aeroporto que quase não tem voos, Porto Velho está repleta de obras eleitoreiras inacabadas. Talvez por isso, muitos forâneos que para cá vêm, sempre voltam ao seu lugar de origem para acompanhar o nascimento de seus filhos ou para celebrar o casamento sempre longe daqui, que escolheram para ganhar dinheiro. Férias de fim de ano? A cidade se esvazia para lotar as praias do Nordeste e também o centro-sul do país, mesmo tendo as passagens aéreas mais caras do que qualquer outro lugar.
            Em 2009 a jornalista Eliane Brum da revista Época escreveu que “Porto Velho é uma cidade que não é daqui”. Nem daqui nem de nenhum outro lugar. Hoje ela não reconheceria mais a currutela fedorenta. Está muito pior do que antes e a cada ano que passa a situação só piora. “Diferente de outras capitais amazônicas, quase não se veem índios. Praças e espaços públicos são escassos, as calçadas são desiguais e pontuadas por lixo. A atmosfera é pesada e triste. Não parece um lugar para pessoas. Ou pelo menos para exercer a cidadania. Assemelha-se a uma cidade de passagem”, escreveu Eliane. A “antessala do inferno” ainda precisa melhorar e muito para ficar ruim. Escura, apesar das três hidrelétricas, violenta, sem mobilidade urbana, suja e sem árvores lembra uma terra arrasada. Para se amar Porto Velho tem que ser cego ou então não ter senso crítico. Quase sem infraestrutura, o lodaçal é sua marca maior. Até quando, Deus?





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 23 de setembro de 2017

O Planalto é minha meta



O Planalto é minha meta


Professor Nazareno*

            Com a atual crise política que o Brasil está vivendo, muitas pessoas se acham no direito de se candidatar à Presidência da República nas eleições de 2018. Eu também quero participar desse jogo. Quero ser presidente do Brasil pelos próximos quatro anos. Como estou me aposentando tenho tempo de sobra para consertar o que foi destruído por mais de quinhentos anos de péssimas administrações. Com um PIB que o coloca entre as dez maiores potências econômicas da atualidade, o nosso país é muito rico e se destaca mundialmente na produção de commodities. Segundo maior produtor de alimentos, o Brasil é o celeiro do mundo. Só neste ano de 2017 são mais de 230 milhões de toneladas de grãos. Isso sem falar na produção de carne, frangos, peixes e frutas. O problema é que esta riqueza não chega à mesa dos mais de 207 milhões de habitantes.
            Como presidente da nação vou transformar o nosso IDH. Temos uma qualidade de vida ínfima se comparada à riqueza que produzimos.  Nos meus quatro anos à frente do Palácio do Planalto eu não vou resolver de imediato os problemas da nação, mas iniciarei um combate austero às desigualdades sociais e à injustiça. Lançarei as bases para que se tenha nos próximos anos uma qualidade de vida pelo menos compatível com a nossa pujança econômica. E o segredo para se conseguir isso é fazer investimentos em educação de qualidade. Dessa maneira, basta trabalhar com as crianças abaixo dos sete anos. Com oito anos um indivíduo já não serve mais para apostas no futuro. Ele já se benze, tem religião e está contaminado, portanto, pela ambição e pelo preconceito. Aos nove anos já mente e aos dez, troca bala com a polícia.
            Eleito em 2018, a partir do ano seguinte todas as crianças do país, até os sete anos, devem ser matriculadas em escolas de tempo integral, particulares ou públicas, ter os melhores professores e um currículo escolar voltado ao conhecimento e às novas descobertas além da obrigatoriedade de praticar esportes. E todo dia esses alunos serão incentivados a produzir um texto escrito em Língua Portuguesa. Em 2020 todo este procedimento será refeito com os novos alunos e assim sucessivamente até o ano de 2029, quando estes primeiros estudantes estarão concluindo o Ensino Médio e se preparando para entrar na universidade. Essas ações darão certo, pois todos os países desenvolvidos e civilizados do mundo mudaram suas sociedades apostando na educação de qualidade. Por que aqui seria diferente? Laboratórios e aulas de todos os saberes.  
            No meu governo os professores serão avaliados todos os anos. Os mais aptos e que conseguirem os melhores resultados serão sempre recompensados. Na política, todos os corruptos serão punidos na forma da lei. Importaremos a legislação de países mais adiantados e reformularemos o Congresso Nacional, o Executivo e o Judiciário. Na economia, o lucro será permitido, mas terá limites. Exportar alimentos só depois que não houver mais fome no território nacional. Haverá incentivos para todas as áreas da cultura e da arte. Nada de devastar o meio ambiente e os Estados teriam que dar lucro. Rondônia e Acre, por exemplo, seriam extintos ou então devolvidos para os bolivianos. A mídia teria total liberdade e a família, de qualquer tipo e formação, seria a base da nova sociedade. Drogas, liberadas na sua totalidade. O Estado continuaria laico e todos seriam incentivados a não seguir nenhuma religião. Problema: se eu for eleito, caio fora.





*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Saudades da Ditadura

Saudades da Ditadura


Professor Nazareno*

            
                Em março de 1964 eu tinha apenas cinco anos. Em março de 1985 eu estava, óbvio, com 26. Este período foi a melhor fase que vivi em toda a minha vida e que coincidiu na política nacional com o chamado período da Ditadura Militar. Aqueles “anos dourados inesquecíveis” foram para mim uma espécie de “meus verdes anos”. Para o nosso país também foi. Éramos competentemente governados pelos militares que em nome do capitalismo e para defender os interesses dos mais pobres deram um golpe no latifundiário e dono de terras João Goulart e em todas as instituições que defendiam equivocadamente as aspirações democráticas. Bons tempos aqueles: éramos felizes e não sabíamos. Vivíamos no paraíso. Uma espécie de terra dos Smurfs sem o Gargamel. A Ditadura Militar foi uma panaceia milagreira que fazia jorrar mel e leite das ruas.
            Naquela áurea época havia coelhinhos saltitantes e borboletas azuis em todos os recantos do país. Tudo funcionava maravilhosamente bem e as pessoas não tinham sequer a tola vontade de votar para presidente, prefeito das capitais ou mesmo governador. Corrupção não havia e o que se arrecadava em impostos era tudo empregado para o bem da sociedade. O nosso país crescia folgadamente a 15 ou 20 por cento ao ano e tínhamos amplo reconhecimento internacional. A nossa educação era de Primeiro Mundo e só não ganhamos várias vezes um Prêmio Nobel por que nunca fizemos questão dessas “coisas pequenas”. Os nossos militares descartavam anualmente a indicação para o Oscar e os Estados Unidos assim como vários países europeus e o Japão guiavam suas sociedades a partir do que viam no Brasil. Éramos melhor que eles.
            Não havia essa violência que vemos hoje e quase não tinha pessoas presas a não ser aquelas que queriam mesmo estar nas cadeias como alguns estudantes insolentes e alguns sujeitos metidos a oposicionistas e os provocadores da esquerda. A liberdade grassava em todos os níveis. Todas as minorias eram respeitadas e até os indígenas tinham uma política só para eles. O governo militar criou o Mobral para alfabetizar todos os cidadãos que quisessem. Preocupados também com a cultura, os militares incentivaram todas as formas de arte e expressão. Censura “quase” não havia e qualquer um podia se expressar livremente. A nossa dívida externa mostrava a credibilidade do país ante o mercado externo. Ainda teve o milagre econômico. E se houve DOI- CODI, torturas, AI-5 e exílio foram apenas meras formalidades para melhor se governar.
            Mas como tudo o que é bom dura pouco, os civis tomaram de assalto o poder e lamentavelmente instalaram a famigerada democracia entre os brasileiros. De 1985 aos dias de hoje, vivemos de solavanco em solavanco tentando acertar e nada parece dar certo. A roubalheira tomou conta da sociedade, a imoralidade dá as cartas, a crise de representatividade só aumenta, a insatisfação popular não para e a corrupção nunca acaba. Vivemos tempos difíceis. Se os militares dessem, para a nossa sorte, outro golpe militar as coisas entrariam no eixo mais uma vez. E como num passe de mágica, general no poder, a corrupção acabaria no dia seguinte. Nossas escolas teriam de volta as disciplinas Educação Moral e Cívica e OSPB, o Estado não seria mais laico e a nossa bandeira não mudaria de cor jamais. Não sei o que os “milicos” estão esperando, pois quando tiraram a Dilma e o PT as coisas melhoraram e muito. Só não vê quem não quer.




*É Professor em Porto Velho.